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quinta-feira, 8 de maio de 2025

Nova metodologia para a análise da aprendizagem em fóruns on-line

Artigo recente de pesquisadores belgas publicado no Computers & Education (link) apresenta importante avanço na pesquisa sobre a aprendizagem em fóruns on-line. Os autores apresentam o LODAM (Learners' Online Discussions Analysis Model), um modelo pra analisar debates em fóruns de MOOCs. Eles explicam que, nesses fóruns, os alunos discutem conceitos, tiram dúvidas e trocam ideias – mas identificam um problema: Por um lado, quem participa ativamente geralmente se sai melhor (completa o curso e aprende mais). Por outro, estudos mostram que esses participantes nem sempre aprofundam o conhecimento. Segundo os pesquisadores, o problema é que a maioria das pesquisas só olha "o que" se discute (os tópicos), e não "como" os conceitos são trabalhados. O LODAM corrige isso – em vez de engessar as discussões em categorias fixas de análise, o modelo mapeia o espectro de diálogos que surgem quando os alunos participam ativamente. 




segunda-feira, 21 de março de 2022

A sala de aula híbrida virtual (em países muito ricos)

Acaba de ser publicado um relato intitulado "The future is bright - the future is hybrid. A virtual tour of four advanced hybrid learning spaces", sobre um workshop europeu em que quatro universidades do continente (da Bélgica, Inglaterra, Finlândia e Holanda) apresentam suas mais modernas sala de aula para educação híbrida virtual (incluindo atividades com professores e alunos localizados no campus e também remotamente em diferentes regiões do planeta) (link).

Há um relato detalhado sobre a intra-estrutura física e tecnológica das salas e imagens de algumas delas que lembram um misto entre um pequeno auditório e estúdio de televisão com diversas telas, microfones e câmeras embutidos no teto e redes sem fio de alta performance. Na universidade belga ela custou 480 mil euros e tem funcionários técnicos dedicados ao seu funcionamento. No caso da Finlândia é possível até fazer um tour 3D de um laboratório para ensino de engenharia. O autor do relato Zac Woolfitt, pesquisador holandês, frisa o alto custo financeiro dessas salas e o desafio de multiplicá-las até mesmo na Europa. Também há que se refletir sobre o fato de que alunos atendendo presencialmente podem estar sendo mais privilegiados do aqueles participando a distância, em particular quando dividem a sala com os professores. Uma sessão para a apresentação e debates sobre as perspectivas pedagógicas utilizadas nessas salas está programada para o dia 12 de maio.

 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Principais tendências da educação on-line

Artigo recente de Mark Brown, do National Institute for Digital Learning da Irlanda, intitulado "What are the Main Trends in Online Learning?A Helicopter View of Possible Futures" (Asian Journal do Distance Education) destaca sete principais tendências (link): 

  1. convergência - no sentido de modalidades educacionais 'borradas'.
  2. massificação - as muitas faces dos MOOCs e a expansão da modalidade on-line nas escolas presenciais.
  3. abertura - buscando "diálogo mais aberto e pluriversalismo crítico".
  4. interatividade - novos conceitos de presença, pedagogia do cuidado, conversações em profundidade.
  5. diversificação - para além do AVA tradicional,  "como um ecossistema complexo de tecnologias interconectadas".
  6. "big edtech" - novos modelos de educação online de 'marketização', 'plataformização' e 'comercialização'.
  7. tecnologia de educação verde - educação online como parte da solução de problemas ambientais, mas sendo ainda um grande consumidor de energia.

O artigo apresenta uma análise sobre tensões e contradições entre essas tendências, a necessidade de uma visão crítica a despeito do senso de oportunidade trazida pelas mudanças em curso no campo teórico e na prática educacional. O autor também discute as  implicações para teorias, praticas e políticas públicas (em tradução livre):

    • "O planejamento para o aprendizado on-line precisa considerar uma prática social mais ampla.
    • A ascensão da 'Big EdTech' é uma oportunidade e uma ameaça ao sistema educacional atual.
    • As crescentes preocupações ambientais precisam ser levadas a sério em apoiando a 'Green EdTech'.
    • Os educadores desempenham um papel crucial na mediação e moldagem de como o aprendizado on-line é entendido e aplicado na prática.
    • Um espírito esperançoso com uma lente crítica é essencial para encontrar maneiras de o aprendizado on-line resolver problemas reais e contribuir para futuros preferidos".

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Pesquisa com a técnica do rastreamento ocular indica design de fóruns mais adequados à educação on-line

Acaba de ser publicado artigo do grupo LER sobre pesquisa desenvolvida em colaboração com pesquisadores da UFC intitulado Análise, através da técnica de rastreamento ocular, de interfaces de fórum virtual que favorecem a educação on-line (link) e que contribui para uma maior divulgação da técnica do campo da educação e para a discussão e reflexão sobre o bom uso das interfaces digitais nas práticas on-line. 

O resumo do trabalho: O artigo apresenta os resultados do mapeamento da interação de 30 alunos universitários ao utilizarem três distintas interfaces de fórum virtuais para estudar. A pesquisa utilizou o método do rastreamento ocular e entrevistas semi-estruturadas para documentar e analisar o processo de navegação dos alunos ao participarem e publicarem comentários nos fóruns. A análise dos dados indicou que interfaces de fórum virtual com design mais tradicional, intuitivo e minimalista, e com menor e mais racional disposição de elementos imagéticos, beneficia o aluno em situações de aprendizagem. Esse tipo de interface evita a frustração, perda de tempo e de foco na tarefa, permitindo o uso efetivo da atenção e memória do aluno na compreensão de conteúdos e resolução de problemas. Movimentos oculares indesejáveis dos alunos indicaram desorientação espacial e sobrecarga cognitiva causada por elementos clicáveis da interface dos fóruns, que foram prejudiciais à navegação dos alunos e, por isso, devem ser evitados, podendo levá-los a abandonar o fórum. Elementos imagéticos acessórios presentes na interface não interferiram negativamente com a tarefa dos alunos, pois foram ignorados por eles durante a navegação nos fóruns, como comprovado pela ausência de fixação ocular. O uso de um fórum de um ambiente virtual de aprendizagem (AVA) padrão tradicional não indicou vantagens para a navegação e realização de atividades quando comparado, pelos alunos, a um fórum generalista de design intuitivo, consistente e minimalista.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

A confusão entre educação remota on-line e EaD continua

No editorial de sua mais nova edição, o American Journal of Distance Education volta a criticar o equívoco da equivalência entre ensino remoto online e educação a distância (link), quando táticas emergenciais para fazer frente à epidemia foram equiparadas com a educação a distância (esta fundamentada em décadas de estudos e práticas), frisando a necessidade para todos de práticas baseadas em evidências científicas produzidas pelo campo de estudos. Segundo Kay Sattuck, "de muitas maneiras, o que observamos foi a melhor tentativa dos professores em sala de aula de continuarem usando a tecnologia enquanto persistiam com a pedagogia da sala de aula. Esta não é a primeira oportunidade perdida para as instituições se prepararem para as demandas dos alunos por oportunidades de aprendizagem de qualidade fora do sistema presencial. Michael G. Moore (no prelo) recentemente comparou o ano de pandemia de 2020-2021 com a "confusão" de muitas universidades na década de 1990, quando "os professores eram simplesmente instruídos a entrar na Internet e ensinar". Agora, “políticos e administradores estão desviando a atenção de sua falha em fornecer treinamento e recursos ...” Educadores com conhecimento de EAD têm uma urgência renovada de compartilhar essa longa história para melhorar a educação para todos os alunos" (em tradução livre).

Ainda sobe os desdobramento negativos da educação a distância no contexto da pandemia do Covid-19, o Open Learning: The Journal of Open, Distance and E-Learning (link) acaba de publicar o artigo intitulado Disrupted distance learning: the impact of Covid-19 on study habits of distance learning university students. Os autores, da Open University do Reino Unido, conduziram pesquisa com 550 estudantes da instituição e concluíram que "da população do estudo, uma média de 36% relatou impactos negativos em suas atividades de estudo e 15% impactos positivos. A análise demonstrou que os impactos negativos nos hábitos de estudo em geral foram associados a dificuldades no gerenciamento da carga de trabalho e interação limitada com outros alunos. Outros fatores, como histórico socioeconômico, nível de estudo, interação limitada com tutores, idade, saúde pessoal, questões de emprego e responsabilidades de cuidar dos filhos relacionam-se a hábitos de estudo específicos. Nossas descobertas têm implicações sobre como as universidades com práticas de ensino à distância novas e existentes lidam com esses fatores e melhor apoiam a atividade de aprendizagem contínua durante a Covid-19 e outras interrupções semelhantes".

O número atual do American Journal of Distance Education também traz um artigo importante e de grande interesse, de autoria de pesquisadoras da Purdue University, intitulado A Systematic Review of Asynchronous Online Discussions in Online Higher Education e que apresenta uma revisão sistemática de 35 artigos sobre o uso do fórum virtual no ensino superior e conclui que não foram investigadas alternativas a esse espaço interativo tão tradicional nas práticas de EaD, a despeito de frágil consenso sobre melhores práticas em seu uso na aprendizagem (link).


quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Programa com coordenador do grupo LER vence mostra “AS CIÊNCIAS E A PANDEMIA DE COVID-19” da SBPC

O programa intitulado Para além da sala de aula, realizado pela Revista Pesquisa FAPESP, foi escolhido o melhor vídeo na categoria média metragem na mostra “AS CIÊNCIAS E A PANDEMIA DE COVID-19” da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Ao todo, foram inscritos 58 vídeos de todo o país na temática. O programa, baseado em reportagem da Revista, promoveu o debate sobre o ensino remoto emergencial e a EaD tradicional e destacou análises sobre o tema realizadas pelo professor e pesquisador Eduardo Junqueira, da UFC, coordenador do Grupo LER, e outros especialistas e docentes. Seguem os detalhes da premiação publicados na revista da SBPC (link):

Para além da sala de aula

O fechamento de escolas e universidades durante a pandemia de Covid-19 aprofundou desigualdades históricas do ensino brasileiro e reacendeu o debate sobre educação a distância. Para entender melhor a diferença entre um curso a distância tradicional e o ensino remoto praticado emergencialmente, entrevistamos um coordenador de cursos de EaD, um especialista em políticas públicas de educação e duas professoras.


Ficha técnica:

Produção e direção: Renata Druck

Edição: Bruno Horowicz Rezende

Pesquisa: Rafael Ghertman

Legendagem: Pedro Vainer

Realização: Revista Pesquisa Fapesp

Assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=ixIMTDqqSmw&list=PLVigrCJ_g6LfZNi2dyzQAv3_ZReXMZ1RN&index=58

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Programa da revista Pesquisa FAPESP discute EaD com participação do Grupo LER

O Coordenador do Grupo LER/CNPq e professor da UFC, Eduardo Junqueira, participou de programa recente da revista Pesquisa FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) que discutiu características e desafios da EaD no contexto da pandemia provocada pelo Covid-19 (link para o vídeo do programa). Participaram também do programa a professora da USP, Regina Baldini, o gerente de políticas educacionais da Todos pela Educação, Gabriel Corrêa, e a professora da FAAP, Moira Toledo. O programa se originou de reportagem publicada anteriormente sobre a temática na revista (link).


terça-feira, 30 de junho de 2020

Artigo analisa o uso de inteligência artificial em fóruns assíncronos

Artigo do tipo relato de campo publicado por pesquisadores da North Texas University, em conferência da EDEN, European Distante and E-Learning Network, promove debate e reflexões sobre o polêmico e muito recente uso de inteligência artificial em atividades de aprendizagem online, O estudo se baseou em IA integrada em uma disciplina de biologia do primeiro semestre da universidade (link para o artigo). Importante salientar que esse uso não pode levar à substituição de professores e nem à precarização das atividades docentes.

Como relatado no artigo, os pesquisadores "...investigaram o impacto de uma plataforma de discussão baseada na IA, Packback, no aprendizado dos alunos e no fluxo de trabalho do professor em cursos on-line. O Packback aborda as discussões on-line usando um protocolo baseado no método socrático de questionar, atribuir aos alunos uma 'pontuação de curiosidade' e criar um boletim informativo de postagens em destaque. Inclui moderação automatizada de postagens inapropriadas. A IA, com base no comprimento das postagens, na estrutura da sentença e na presença de uma citação de fonte, entre outras variáveis, calcula as notas de classificação e curiosidade/interesse. A plataforma possui outros recursos que imitam um local de rede social e gamificam a experiência"(tradução livre).  Ainda segundo os autores, "como a IA classifica e modera as postagens, os professores podem se concentrar em interações mais significativas com os alunos, como fornecer elogios públicos ou feedback particular/individualizado. Isso ajuda a estabelecer um senso de presença no ensino".

Dados foram coletados com apenas 3 tutores de atuaram na disciplina ofertada nessa sistemática e que relataram sobre impactos mas também ambiguidades da IA. Um ponto levantado pelos tutores foi a necessidade de saber melhor como o IA calcula as notas atribuídas às postagens e se elas incluem também o feedback dos tutores publicados no fórum, caracterizando assim o elemento de "ambiguidade" nomeado pelos pesquisadores -- forma de cálculo das notas, estrutura das postagens na plataforma, dentre outros. 

Os autores identificaram elementos de incerteza mas também de curiosidade dos tutores sobre o funcionamento e uso da IA e também concluíram que: "os tutores enfrentaram o desafio de aprender uma nova tecnologia, entender como a IA funcionava e descobrir como melhor complementá-la com a intervenção humana, com interrupções mínimas na aprendizagem dos alunos ... Pesquisas adicionais estão em andamento e a equipe de pesquisa está entrevistando mais alunos e educadores ... para aumentar a validade dessas tendências ou identificar outros padrões emergentes nas disciplinas".

terça-feira, 16 de junho de 2020

Erros comuns no ensino online e práticas mais adequadas às redes digitais

Uma das maiores dificuldades da transição do presencial para o online está no fato de que o contexto das redes sociais digitais, da internet, é muito diferente da sala de aula presencial, particularmente no que se refere à sociabilidade horizontal das redes em contraste com a autoridade e centralidade do professor. Não há soluções fáceis nem rápidas para esse dilema, mas cito um relato de pesquisa com adultos que nos ajuda a compreendê-lo um pouco mais para buscar práticas mais adequadas.

O artigo intitulado Learning in Social Networks: Rationale and Ideas for Its Implementation in Higher Education (Aprendizagem nas redes sociais: justificativa e idéias para sua implementação no ensino superior) (link) das pesquisadoras Ibis M. Alvarez e Marialexa Olivera-Smith, relata estudo estudo de 2013 mas que se mantém bastante atual. Elas investigaram processos informais de aprendizagem nas redes sociais digitais para discutir e refletir sobre dilemas da aprendizagem formal online. Segundo as autoras, processos informais de aprendizagem nas redes sociais resultam de múltiplas conexões e trocas entre participantes, que assumem tanto o papel de professor quanto de aprendizes, diferente da tradicional hierarquia de saberes da educação formal.
As pesquisadoras afirmam que "uma das questões mais delicadas sobre o uso das redes sociais no ensino superior é que atraem estudantes justamente porque não são controlados institucionalmente como AVAs, o que a maioria das universidades implementa com um único objetivo (a saber, o aprendizado)". Diante dessa constatação, no que se refere ao papel do professor nas redes, elas sugerem:

  • Permitir que o grupo seja emergente em sua aprendizagem.
  • Permitir que os participantes busquem seus próprios ritmos e formas de trabalhar juntos.
  • Acompanhar atentamente o grupo, sem interferir, mas estando pronto para ajudar.
  • Usar organizadores avançados para criar uma estrutura pedagógica para os participantes usarem quando estiverem prontos.
  • Criar ações de "andaimes" (scaffolding) específicos em contextos específicos.
E propõem, ainda:
  • A promoção de trabalho colaborativo ao invés de práticas de disseminação de informações.
  • A introdução da auto-regulação da aprendizagem ao invés de trabalho dirigido pelo professor. 
  • Contribuir para o desenvolvimento de um senso de comunidade. 
  • Acomodar diferenças individuais.
  • Estabelecer práticas de avaliação conectadas com tarefas típicas das redes digitais. 


segunda-feira, 15 de junho de 2020

IP.TV, usada por milhões na rede pública de ensino, tem ligações com bolsonaristas, revela The Intercept

Reportagem do site de notícias The Intercept (link) revela que a Ip.TV está sendo utilizada por 7,7 milhões de alunos em SP, Paraná, Amazonas, Pará e Piauí e é acusada de ser ligada a políticos bolsonaristas. Os repórteres Amanda Audi e Pedro Zambarda afirmam que "em um dos apps, os alunos são expostos diretamente a mentiras e teorias da conspiração bolsonaristas" e que "os aplicativos têm problemas: apresentam defeitos de transmissão de som e imagem e não funcionam em celulares mais antigos. Mais grave, entregam à IP.TV, a empresa que os desenvolveu, uma série de dados pessoais de estudantes menores de idade e seus professores". No aplicativo Mano, de streaming dessa empresa, o principal canal é a TV Bolsonaro e está acessível a todos os alunos usuários do serviço.


Segundo a reportagem, "para usar os aplicativos, professores e estudantes são obrigados a concordar com as políticas de privacidade, que incluem o acesso da IP.TV a dados das secretarias de educação, com informações como nome, e-mail, ano e série cursados. Além do álbum de fotos, os apps também podem ter acesso ao microfone do celular e a trocas de mensagens em grupos de bate-papo, que podem ficar guardadas por até seis meses. O Mano ainda pode exibir publicidade aos usuários – apesar de a IP.TV garantir que isso nunca foi feito".

"Aprendizagem online não é o futuro", afirma professor de universidade da Califórnia

O provocativo artigo intitulado Online Learning Is Not the Future (link) merece a nossa atenção por alguns motivos. O mais importante é que o professor Peter Herman, da área de literatura inglesa, mostra opiniões de seus alunos (considerados por ele nativos digitais, e residentes da Califórnia) que, pela primeira vez, vivenciaram cerca de metade do curso presencial e, com a chegada da pandemia do Covid-19, a outra metade do curso online. Ou seja, eles puderam comparar o mesmo curso nas duas modalidades. Obviamente, a segunda metade se deu de forma emergencial e com todos os problemas gerados pela pandemia. Ainda assim, os depoimentos dos alunos precisam ser ouvidos, argumenta Herman.

O mais contundente deles afirmou: "Alguns dos melhores cursos que fiz durante meu tempo na faculdade foram em turmas pequenas, onde o professor e os alunos desenvolvem um senso de confiança um com o outro. Essa confiança só pode ser alcançada pelo contato pessoa a pessoa. Existe esse nível de intimidade que simplesmente não pode se desenvolver em um ambiente online. A experiência da faculdade é realmente sobre fazer conexões humanas" (tradução livre). 

Em geral, os alunos reclamaram que "não pago mensalidade para assistir vídeos no Youtube sozinho"-- uma forte crítica a conteúdos gravados sem atividades interativas -- e da ausência/distanciamento do professor e da falta de práticas dialogadas de aprendizagem (professor-aluno; aluno-aluno). Outros depoimentos:

  • "[O curso] parecia fácil demais", escreveu um terceiro. "Não me senti desafiado como na primeira metade do semestre e senti que a qualidade do aprendizado havia caído muito." 
  • "Vi as palestras postadas, mas não estava aprendendo o material", escreveu outro. Ao todo, a mudança on-line causou "um profundo sentimento de perda". 
  • Um vídeo pré-gravado “é de longe o menos eficiente e benéfico [modo de aprendizado]. Vídeos pré-gravados não dão aos alunos espaço para fazer perguntas ou participar de discussões em classe”.

domingo, 7 de junho de 2020

Revista FAPESP publica reportagem sobre mudanças na EaD na pandemia

A revista Pesquisa FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) acaba de publicar reportagem intitulada "Para além da sala de aula" de autoria do jornalista Bruno de Pierro. O texto possui abrangência internacional e aborda desafios, problemas e potenciais da educação a distância e as mudanças na educação escolar no contexto da pandemia do Covid-19. Acesso pelo link.

Além de depoimentos do coordenador do Grupo LER, da UFC, o artigo contou também com  a contribuição do renomado pesquisador canadense Stephen Downes (Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá) e de pesquisadores de destaque do Brasil, como Lucila Pesce (UNIFESP) e Klaus Schlünzen Junior (UNESP).

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Quatro problemáticas das tecnologias digitais e da educação a distância no contexto emergencial do Covid-19


Em excelente editorial do periódico Learning, Media and Technology de 21 de maio,  os editores britânicos Ben Williamson, Rebecca Eynon e John Potter elaboram 4 problemáticas das tecnologias digitais e da educação a distância no contexto emergencial do coronavírus: a economia política da pedagogia da pandemia, as desigualdades digitais, os novos espaços-tempos e hierarquias da pedagogia e as experimentações emergentes com as tecnologias educacionais. Os pesquisadores alertam para o fato de que "política pandêmica agora está se desenrolando através de tentativas de incorporar sistemas e práticas de educação pública, em âmbito internacional, em sistemas tecnológicos cada vez mais poderosos" e incentivam renovadas pesquisam que examinem essas práticas e seus efeitos" e alertam para a necessidade do exame detalhado e cuidadoso dos efeitos e consequências dessas práticas. O artigo completo está disponível neste link.


Ao analisarem as quatro problemáticas, os editores se baseiam em alguns estudos prévios e alertam para o forte caráter de oportunidade de negócios que a indústria das tecnologias educacionais tem imprimido ao período da pandemia e para a necessidade de sérios cuidados diante da expansão de sistemas nacionais de educação pública para essas plataformas comerciais online adentrando as casas dos estudantes com destaque a organismos internacionais como Unesco e Banco mundial nesse cenário em rápida transformação e disputas entre EUA e china também neste cenário. Alertam também para a fragilidade da retórica entorno dos nativos digitais e das muitas dificuldades de jovens em se manterem aptos da fazerem bom uso das tecnologias digitais para a aprendizagem, levantando a pergunta sobre o nível adequado de acesso digital e como jovens e famílias podem receber o suporte necessário para estudar em casa de forma sustentável e duradoura e os riscos imprevisíveis gerados pela ampliação do acesso.
Ao ratarem da terceira problemática citada, cunham o termo Bring Your Own School Home (BYOSH) (algo como: traga sua própria escola para casa) alertando para as múltiplas e exaustivas interferências com rotinas domésticas e familiares daí advindas da polissincrona aprendizagem remota e potencial sobrecarga cognitiva de professores, alunos e pais. Apontam para a terceira via do que nomeiam "Tecnologias de convívio".  "Aqui, poderíamos invocar a noção de práticas que remetem ao poder, em que a direção do fluxo não se trata de "conteúdo" sendo entregue a jusante pelo algoritmo, mas de espaços mais abertos, agentes e produtivos para alunos e educadores", afirmam os editores. No que se refere à última problemática, a da experimentação atual com tecnologias educacionais no universo de 1,5 bilhões de estudantes do planeta, apontam para o surgimento de grandes bases de dados sobre eficácia dessas tecnologias e os ricos de precarização do trabalho dos educadores, acentuando o fortalecimento das práticas de dataficação e massificação, através da significativa ampliação dos usos das tecnologias em rede, na área educacional. "À medida que milhões de estudantes se inscrevem em novas plataformas para poder acessar a educação durante a pandemia, é necessário trazer de volta ao foco as preocupações de longa data sobre privacidade de dados e o uso de dados para caracterização e controle dos alunos", concluem.






quarta-feira, 20 de maio de 2020

O conhecimento científico e as práticas educacionais híbridas emergentes

Apesar dos valorosos esforços de educadores de todas as latitudes engajados na busca de soluções para os atuais problemas da educação não-presencial, percebe-se certa fragilidade de práticas implementadas, algumas reproduzindo problemas da educação presencial. Muitas carecem de conhecimentos científicos e ganham espaço movidas por interesses comerciais diversos e que nem sempre priorizam a qualidade do processo formativo dos estudantes. Dois documentos são muito úteis nesse momento não apenas para embasarem práticas educacionais tradicionais e emergentes, mas também para alertarem para a fragilidade do conhecimento científico disponível sobre algumas ações pedagógicas, especialmente sobre os modelos híbridos -- a união do presencial com o on-line -- de ensino (o blended learning). 

O primeiro documento que tem muita utilidade é da área de educação a distância (EaD) e intitula-se What works in distance learning (O que funciona na educação a distância) editado pelo professor Harold F. O’Neil da University of Southern California. Foi divulgado pela primeira vez em 2003 e, anos depois, deu origem a um livro com o mesmo título que se encontra disponível para venda na internet. Esses conhecimentos não devem ser transferidos automaticamente para práticas híbridas (ainda que possam iluminar algumas delas) e muitos não se aplicam a crianças. Referem-se a práticas tradicionais de EaD com adultos. O documento, em inglês, pode ser acessado neste link. 

O relatório traz informações em tópicos com diretrizes de ações sobre cinco esferas da educação a distância: formas de instrução, uso de multimídia, estratégias de aprendizagem, gestão e  avaliação. Cada tópico foi desenvolvido por especialistas na área e contém dados assim organizados: explicações gerais e técnicas sobre a diretriz apresentada, a origem da diretriz e o seu grau de confiabilidade com base em resultados de pesquisas científicas, comentários (citando estudos prévios que sustentam a diretriz), referências, glossário e usuários a que se destina. 

Por exemplo, no capítulo 2 o pesquisador Richard Clark afirma que "[em um curso a distância] à medida que o controle, a liberdade do estudante aumentam, o aprendizado diminui, exceto por um número muito pequeno dos estudantes mais avançados". Ou seja, "quando os cursos a distância estabelecem o sequenciamento, as estratégias de aprendizagem durante a instrução e permitem apenas o controle mínimo do estudante sobre o ritmo, então, exceto os alunos de alta performance, o aprendizado irá aumentar". O documento informa que a diretriz é baseada em "pesquisas" e que o grau de confiança na afirmativa é "alto". Em seguida, no tópico "Comentários" do relatório, o pesquisador explica a diretriz: "... Uma revisão abrangente e meta-análise de muitos estudos de controle de alunos [...] relataram um impacto negativo geral [do excesso de controle]. Esse impacto negativo se estende a estudos em que os alunos foram autorizados a selecionar a quantidade de controle que exerceram ao longo do curso [...] ". O tópico segue indicando os estudos que baseiam a diretriz e traz um glossário com explicações sobre conceitos utilizados e uma lista dos artigos científicos cujos estudos embasam a diretriz proposta. Em resumo, a diretriz informa que um bom curso a distância deve ter atividades bastante estruturadas, conter instruções claras e objetivas sobre o que o estudante precisa fazer e como deve fazer.

O outro documento de referência, intitulado Preparing for the Digital University, trata da digitalização das universidades e centra-se nos cursos massivos on-line conhecidos como MOOCs. Foi produzido por pesquisadores renomados sob a coordenação de George Siemens e financiado pela fundação mantida por Bill Gates e sua esposa. O documento se divide em 4 capítulos -- um deles sobre o ensino híbrido -- em que são apresentadas revisões sistemáticas dos principais estudos científicos desenvolvidos e conclusões sobre o "estado da arte" do conhecimento, muitos deles ainda válidos hoje. Acesso ao documento completo neste link.

Destaca-se o tópico sobre ensino híbrido, prática que se anuncia como importante hoje diante das dificuldade da pandemia para a reabertura das escolas e universidade e altos riscos de agravamento do contágio e mortes pelo Covid-19. No que se refere, portanto, ao tópico do ensino híbrido, as conclusões com bases em conhecimentos científicos são pouco alentadoras, pois o conhecimento é frágil e recomenda cautela. A seguir reproduzimos trecho traduzido do documento com conclusões apresentadas pelos pesquisadores: 

"Primeiro, as conclusões dos estudos de eficácia concluem que a combinação de modelos instrucionais presencial e online tem um efeito mais alto no desempenho acadêmico do aluno do que qualquer um dos modelos independentes. No entanto, até o momento, existem evidências limitadas sobre quais métodos específicos de mesclagem afetam positivamente o desempenho acadêmico. Segundo, as práticas instrucionais recomendadas refletem as melhores práticas existentes desenvolvidas nos modos online e presencial, com forte dependência do online/EaD. O (re)design do curso mantém seu foco em abordagens que ajudam a capitalizar os benefícios percebidos desses modos de entrega separados, por exemplo, a presença social aprimorada e a construção de relacionamentos através dos modos presenciais (Rovai & Jordan, 2004; Shea & Bidjerano, 2013), e o controle do aluno e a flexibilidade de acesso através dos modos online (Graham, 2013). Terceiro, o campo de pesquisa se apóia fortemente nos conceitos desenvolvidos na educação online/EaD, enquanto não possui suas próprias teorias para abordar a própria mistura [o modelo híbrido]. Consequentemente, apesar da abundância de relatos individuais de experiências combinadas, há uma falta de pesquisa empírica da especificidade do modelo híbrido para refinar as lentes teóricas específicas da combinação presencial-online.

Essa dependência dos dois modos de entrega (presencial/online), que deu origem ao modelo híbrido, resulta em poucas evidências sobre a real combinação dos dois modelos - um conjunto diversificado de práticas com o potencial de superar o status de um modo de entrega combinado para se tornar um método pedagógico eficaz. Embora as escolhas por trás da pedagogia estejam altamente relacionadas ao desenvolvimento do processo de aprendizagem, na verdade existem poucas evidências sobre o aprendizado nas práticas da aprendizagem híbrida. Apesar de existirem projetos de pesquisa complexos e com diversas nuances, estudos recentes sobre a eficácia da aprendizagem híbrida se enquadram na categoria "pesquisa de aprendizagem de superfície" (Ross & Morrison, 2014), pois não mostram o efeito de vários tipos de aprendizagem, mantendo o foco apenas na performance dos estudantes e em seu desempenho acadêmico. Além disso, as práticas instrucionais mal abordam as interações entre os alunos e o conteúdo, e o papel do professor tem sido negligenciado. Finalmente, a pesquisa não adota teorias que unam sinergicamente o aprendizado que ocorre entre a conexão do físico com o virtual.

A pesquisa sobre a aprendizagem híbrida forneceu algumas evidências de que certos tipos de tecnologia são mais propícios à aferição de resultados de aprendizagem, o que traz o meio [a tecnologia, a mídia] de volta à conversa sobre aprendizagem e pedagogia (Clark, 1983; Kozma, 1991, 1994). Além disso, o desenvolvimento de recursos tecnológicos e da onipresença tecnológica em algumas partes do mundo sugere que a tecnologia digital pode ajudar a estender os processos informais de aprendizagem, tanto social quanto cognitivamente. Em outras palavras, além de diminuir a distância psicológica entre os participantes separados [fisicamente] no processo de aprendizagem, apesar de sua proximidade percebida (Thompson, 2007), as atividades pedagógicas mediadas pela tecnologia precisam se adequar ao que essa tecnologia pode propiciar.

Em suma, com base nas evidências sintetizadas neste relatório, argumentamos que insights mais profundos e focados na aprendizagem digital - ou seja, a aprendizagem mediada por vários métodos tecnológicos de transcender o espaço físico e virtual - permitiriam que os praticantes da aprendizagem híbrida fizessem melhores escolhas pedagógicas. Além disso, relatos mais detalhados das práticas da aprendizagem híbrida, tanto por administradores quanto por pesquisadores, ajudará nosso entendimento das nuances da aprendizagem híbrida para além do aspecto que se refere ao modelo de instrução que combina elementos do presencial e do online. Por fim, o foco na interação entre processos de aprendizagem e recursos tecnológicos permitiria que os pesquisadores da aprendizagem híbrida reformulassem suas investigações de maneira a levar a um amadurecimento adicional do campo" (páginas 83 e 84 do relatório).

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Técnica de Rastreamento Ocular Revela Estratégias de Alunos de EaD

A Revista Brasileira de Educação Aberta e a Distância acaba de publicar o artigo Técnica de Rastreamento Ocular Revela Estratégias de Ações Múltiplas e não Lineares de Navegação Virtual de Alunos de EAD no AVA e na Internet. O estudo integra projeto de pesquisa do Grupo LER e foi parcialmente financiado pelo CNPq. A coleta dos dados foi conduzida com alunos da parceria UFC-UAB e contou, dentre outras, com a técnica do rastreamento ocular - inédita nesta área da educação - e que compreende a documentação e a análise dos movimentos dos olhos dos alunos enquanto estudam com o computador. Isso gerou uma base de informações com dados altamente precisos, detalhados e confiáveis sobre as ações dos alunos de EaD quando estudam. Clique aqui para acessar o artigo.
Algumas conclusões do estudo foram: "Ao navegar no AVA, em geral, os alunos não seguiram a sequência linear do ambiente e, especificamente nas páginas das Aulas, desprezaram alguns elementos imagéticos e hipertextuais por considera-los dispensáveis à aprendizagem. Os dados analisados originaram duas categorias de navegação virtual: simples, em que os alunos se concentram na navegação no AVA; e complexas, na qual os alunos percorreram trilhas diversas e acessaram websites, blogs, arquivos na rede e ampliaram os conteúdos disponibilizados no AVA. Isso gerou, em alguns casos, perda de foco na tarefa e dificuldades na compreensão de conceitos. Ressalta-se a ação autônoma do aluno de EaD ao formular e executar estratégias de navegação adequadas a seus objetivos de estudo, às características do AVA e aos materiais de estudo, visando realizar atividades programadas e aprender". 

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Dificuldades dos professores universitários dos EUA e Canadá com a docência on-line na pandemia

O primeiro levantamento sobre o comportamento das ações on-line de professores universitários dos EUA (846 professores em 641 IES) e Canadá (20 professores) no contexto da pandemia do Covid-19 acaba se ser publicado e revela problemas e dificuldades enfrentadas por esses profissionais, a maioria sem experiência prévia com a docência não presencial. O dado mais preocupante aponta que a grande maioria dos professores transferiu suas aulas presenciais para algum sistema de vídeo-aula, dando a entender que o foco foi a transmissão de conteúdos pela internet sem um desenho didático e um contexto digital voltado a esse fim (ao contrário, professores com experiência on-line mais freqüentemente evitaram video-aulas e utilizaram AVAs). Além disso, a maioria dos professores sem experiência on-line admitiu que reduziu o nível de cobrança de suas disciplinas, bem como o número de atividades com nota. Essas práticas foram menos pronunciadas no caso daqueles professores que já possuíam algum conhecimento e experiência prática prévia com a docência on-line. Esse outro link traz informações mais detalhadas sobre o estudo. Conhecimentos considerados mais críticos e desejáveis para esses professores foram aquelas que se referiam às melhores maneiras de oferecer suporte aos alunos on-line e sobre como se tornarem bem sucedidos nesse contexto.



quarta-feira, 1 de abril de 2020

Reflexões críticas sobre o ensino e a aprendizagem remotas e a EaD em tempos do COVID-19

O site de notícias e análises Outras Palavras acaba de publicar artigo intitulado Vigilância em tempos de educação à distância, de autoria do pesquisador coordenador do Grupo LER/CNPq/UFC. O texto analisa problemas de acesso a dados e à privacidade e segurança dos usuários de ambientes educacionais e genéricos de empresas de tecnologia em rede no contexto do "capitalismo de plataforma". Esse artigo integra uma série de publicações sobre pesquisas desenvolvidas pelo Grupo LER/CNPq que tem apresentado análises críticas, baseadas em pesquisas sistemáticas, decorrentes do recente fenômeno do cancelamento das aulas presenciais em escolas e universidade e a busca por soluções com o uso de tecnologias digitais e internet. 

Se a crise abre bem-vindas oportunidades para experimentações e descobertas sobre as práticas de ensino e aprendizagem atuais, é preciso estar atento para os componentes comerciais e empresariais da problemática, bem como para os riscos de precarização das atividades acadêmicas e do trabalho docente, haja visto o frágil acesso das populações carentes aos bens tecnológicos em tempos de forte recessão econômica.

Além do artigo publicado pelo Outras Palavras, esses temas foram abordados também em artigo da revista Horizonte, publicada pela Sociedade Brasileira da Computação (SBC),  intitulado #FiqueEmCasa, mas se mantenha ensinando-aprendendo: algumas questões educacionais em tempos de pandemia. O texto, de autoria de Mariano Pimental e Renata Araújo, apresenta citação baseada em reflexões do LER sobre atividade escolar remota e educação a distância no contexto atual. 
E outro artigo, intitulado Atividade escolar remota não é EaD, foi publicado no Jornal O Povo. O texto inclui diferenças e alertas para os cuidados necessários ao serem desenvolvidas atividades acadêmicas remotas emergenciais e temporárias e propostas completas de cursos na modalidade EaD visando a excelência da aprendizagem.  

   

segunda-feira, 30 de março de 2020

A diferença entre ensino remoto de emergência e aprendizado on-line

Diante das polêmicas e das muitas dúvidas sobre atividades remotas após o fechamento das escolas e universidades -- em que a áreas de estudos e práticas de educação a distancia (EaD) e educação on-line têm sido injustamente banalizadas e criticadas diante da precarização do momento de crise atual -- surge um artigo esclarecedor sobre a problemática, publicado do Educause Review. Intitulado The Difference Between Emergency Remote Teaching and Online Learning (A diferença entre ensino remoto de emergência e aprendizado on-line), o texto argumenta que "as experiências de aprendizado on-line bem planejadas são significativamente diferentes dos cursos oferecidos on-line em resposta a uma crise inesperada. Faculdades e universidades que trabalham para manter as instruções durante a pandemia do COVID-19 devem entender essas diferenças ao avaliar esse ensino remoto de emergência".
Ao longo do texto os autores esclarecem que: "o que sabemos com base em pesquisas é que o aprendizado on-line eficaz resulta de um planejamento e design instrucional cuidadoso, usando um modelo sistemático de design e desenvolvimento. O processo de design e a consideração cuidadosa de diferentes decisões de design têm impacto na qualidade da instrução. E é esse cuidadoso processo de desenvolvimento de um projeto que estará ausente na maioria dos casos nessas mudanças de emergência". Os autores lembram que a quantidade de alunos nas turmas é fator decisivo para o sucesso de ações pedagógicas on-line e que cursos que realmente aderem à modalidade on-line tipicamente levam de 6 a 9 meses para serem desenvolvidos antes que sejam iniciados com os alunos matriculados. Os autores também relatam um pouco sobre os esforços emergenciais que têm sido desenvolvidos atualmente -- o que chamam de ensino remoto de emergência -- e detalham aspectos e elementos sobre como avaliá-los, sem que se incorra no equívoco de compará-las com a sala de aula presencial.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

40 anos do journal Distance Education e perspectiva crítica

O periódico Distance Education, publicado na Austrália (pela Open and Distance Learning Association of Australia Inc., ODLAA), está completando 40 anos e traz edição temática com um balanço de pesquisas e problemas da área com artigos que abordam tópicos importantes do campo de estudos. 
O editorial traz uma visão bastante crítica da área, destacando-se (em tradução livre): "todo o campo enfrentou muitas encruzilhadas e muitos outros desafios. Notavelmente, essas encruzilhadas e desafios surgiram de várias formas e com todos os tipos de magia técnica. Alguns deles, como a Internet e os dispositivos móveis, prometeram modernizar e integrar a educação a distância. Outros, como e-learning, sala de aula invertida, aprendizagem híbrida e, mais recentemente, micro-credentialing e block chain, prometeram reformar e revolucionar o fornecimento de educação a distância. Mas se você olhar mais de perto as promessas deles, descobrirá que muitas delas ofereceram pouco que seja novo ou inovador...". 

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Processo aberto de edição da nova versão do livro Educar na Era Digital

O veterano pesquisador canadense Tony Bates está finalizando a segunda edição do livro Educar na Era Digital e, ao longo desse processo, tem disponibilizado rascunhos dos novos capítulos online para comentários dos leitores interessados.
Vale conhecer o processo de edição aberta e também os temas emergentes que serão incorporados ao novo material a ser lançado no início do próximo mês. Links para a primeira edição traduzida e para comentários críticos do autor sobre esse processo aberto de edição.