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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Estudo de Stanford revela que apenas um quarto das universidades regulamentou o uso da IAGen, utilizada pela maioria dos alunos no Brasil

Segundo o AI Index Report 2026, do Instituto de Inteligência Artificial Centrada no Ser Humano (HAI), da Universidade de Stanford, das 111 instituições públicas do ensino superior pesquisadas no Brasil, apenas 27 dispõem de documentos que regulam o uso da Inteligência Artificial Generativa (IAGen) (ver link). O documento revela que 84% dos universitários afirmaram usar ferramentas de inteligência artificial generativa nos estudos em 2025 (contra um índice de 52% em 2023).

UFMG e UNICAMP foram pioneiras na regulação do uso da IAGen, bem como a UFBA. O documento Guia para Uso Ético e Responsável da Inteligência Artificial Generativa na Universidade Federal da Bahia (ver link) estabelece, dentre outras diretrizes, que:

  • Os planos de ensino devem explicitar se está autorizado ou não o uso de ferramentas de IA, as formas como esse uso pode ser feito pelos estudantes e como esse trabalho será avaliado.
  • Caso o estudante utilize a IA para produzir um texto entregue como produto para avaliação, o docente deve solicitar que tal uso seja explicitamente identificado pelo estudante. Pode solicitar também que seja entregue uma explicação sobre o processo de uso da IA na construção desse produto, incluindo os prompts utilizados, e pode, ainda, incentivar discussões em sala de aula sobre o uso da IA no curso, com reflexões sobre aspectos positivos e negativos do uso destas tecnologias. 


Reportagem do jornal Folha De S. Paulo informa que o Conselho Nacional de Educação, órgão deliberativo do MEC (Ministério da Educação), aprovou em setembro um parecer que, se homologado, passará a exigir que todas as instituições de ensino superior adotem uma política de integridade acadêmica para o uso de IA em até 12 meses.

Na USP, já existe uma disciplina dedicada à temática, intitulada Inteligência Artificial na Vida Acadêmica (ver link), cuja ementa é: A disciplina oferece uma visão geral sobre a Inteligência Artificial (IA), desde seu início, na década de 1950, até a ascensão da IA Generativa. Aborda conceitos introdutórios de aprendizagem de máquina e IA generativa, limites e riscos (vieses, alucinações, privacidade e segurança), integridade acadêmica e autoria, aspectos éticos e legais no ambiente digital e impactos socioambientais. Ela objetiva capacitar o aluno a utilizar ferramentas de IA como suporte ao estudo, pesquisa e produtividade, enfatizando a curadoria humana e a responsabilidade intelectual.



quarta-feira, 8 de julho de 2026

Frágeis evidências científicas sobre benefícios a IAGen na educação

Em uma publicação recente em seu blog (link), o pesquisador britânico Ben Williamson atualizou o recorrente problema de pesquisas frágeis, e por vezes mal intencionadas, que apresentam dados pouco confiáveis sobre eventuais benefícios do uso da IAGen na educação. De fato, não se trata de algo novo no campo da edtech, sempre muito marcado pelos interesses das grandes corporações privadas em vender seus produtos e promoter soluções milagrosas para os problemas da educação. Com base nos relatos do pesquisador, o ciclo se renova sob a roupagem "modernizante" da IAGen.


A postagem relata o caso de um artigo, publicado na SpringerNature em 2025, e intitulado “The effect of ChatGPT on students’ learning performance, learning perception, and higher-order thinking” e que apregoava benefícios do Chat GPT. Após questionamentos, foi retirado do website da revista, mas já havia circulado muito em redes sociais e foi citado em muitos outros artigos. Em um artigo novo publicado na Computers & Education, Alyssa Lawson e colegas analisaram dois outros artigos de meta analises sobre a temática e concluíram que (em tradução livre): "A base de evidências revisada não parece apoiar afirmações inequívocas sobre a eficácia causal do ChatGPT na educação. Embora os estudos revisados frequentemente relatem ganhos de desempenho estatisticamente significativos nas condições do ChatGPT, a ampla falta de controle metodológico e a falta de informações instrucionais detalhadas dificultam saber se essas mudanças devem ser atribuídas à própria tecnologia ou às práticas instrucionais utilizadas junto com o ChatGPT". 

Trata-se de problema recorrente no campo de estudos. Nos primórdios da chegada da internet nas escolas, um estudo conduzido em um distrito escolar dos EUA se tornou um clássico sobre esse tipo de equívoco ou manipulação. Para se prepararem para a nova tecnologia na escola, todos os professores do distrito participaram de um novo e intenso programa de formação didática continuada e, de fato constataram-se melhorias na aprendizagem dos alunos. Mas tais melhorias podem ter sido ocasionadas pela chegada da internet? Obviamente que não era possível afirmar isso com absoluta certeza no caso examinado. Desde sempre, as evidências científicas sobre os benefícios diretos das tecnologias digitais na melhoria da aprendizagem escolar, quando confiáveis, têm apontado resultados modestos, se tanto.