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segunda-feira, 2 de junho de 2025

Edição temática sobre inteligência artificial generativa e ensino superior

 

Acaba de ser publicado número temático sobre inteligência artificial generativa e ensino superior da revista Docência e Cibercultura, da UERJ (link). O grupo LER/CNPq, da UFC, contribuiu para este trabalho com artigo intitulado "Inteligência artificial generativa e estudantes universitários no contexto dos multiletramentos" com análises sobre o uso da IA por estudantes universitários em práticas de estudo. Os artigos publicados alinham-se a três eixos temáticos: Contribuições internacionais: tendências e diálogos transnacionais (Portugal, Espanha e América Latina), Investigação e Formação  Docente e Dimensões éticas, políticas e epistemológicas —regulação, soberania digital e justiça cognitiva.

Os editores, pesquisadores do Brasil e de Portugal, analisam que "o grau de interdependência e de interconexão que mantemos hoje com as tecnologias digitais indica que a coevolução da tecnologia da informação e da humanidade atingiu um patamar de complexidade tal que já desafia a estrutura clássica de controle e domínio exercida pelo ser humano (Buongiorno e Chiaramonte, 2024). Nesse debate, a literatura costuma oscilar entre  polos  opostos,  ora  salientando  os  benefícios,  ora advertindo  sobre  os  riscos  que  tais artefatos podem acarretar para a condição humana". E concluem: "Importante ressaltar que, em um cenário de mudanças bruscas, faz-se necessária a reflexão em todos os âmbitos —filosófico, sociológico, político, ético, estético e educacional —que possa  não  apenas  aprofundar  a  compreensão  das  diversas  facetas  da  IA,  mas  também  nos apropriar dela como cidadãos críticos e criativos". 


segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Ideias de 37 pesquisadores da área sobre IA generativa e educação são reunidas em novo artigo

Acaba de ser publicado o artigo The Manifesto for Teaching and Learning in a Time of Generative AI: A Critical Collective Stance to Better Navigate the Future, que agregou e compilou ideias de 37 pesquisadores da área de IA e educação através da técnica Delphi (link para acesso). O resumo do trabalho destaca que: "À medida que a GenAI continua a evoluir, enfrentamos desafios críticos para manter a supervisão humana, salvaguardar a equidade e facilitar experiências de aprendizagem significativas e autênticas. Este manifesto enfatiza que a GenAI não é ideologicamente e culturalmente neutra. Em vez disso, ela reflete visões de mundo que podem reforçar preconceitos existentes e marginalizar vozes diversas. Além disso, à medida que o uso da GenAI remodela a educação, ela corre o risco de corroer elementos humanos essenciais — criatividade, pensamento crítico e empatia — e pode deslocar interações humanas significativas com soluções algorítmicas".

Na seção dos Resultados (ver telas abaixo), vários temas-chave surgiram, destacando os benefícios potenciais e considerações críticas para integrar a AI generativa em contextos educacionais. Dentre os pontos destacados e detalhados no texto estão: aprendizagem colaborativa, melhoria a criatividade e inovação, ganho de tempo,  melhoria da capacidade cognitiva. No que se refere aos aspecto negativos, destacam-se: desigualdades sociais, perda de integridade acadêmica, impactos no raciocínio crítico, perda de de privacidade e de valores humanos, dentre outros. 







quinta-feira, 14 de março de 2024

Relatório alerta para os perigos da adoção, sem regulação adequada, da Inteligência Artificial nas escolas

Acaba de ser publicado relatório crítico importante intitulado Time for a Pause: Without Effective Public Oversight, AI in Schools Will Do More Harm Than Good, de autoria de Ben Williamson, Alex Molnar, and Faith Boninger (link apra acesso do texto completo). No texto, os autores indicam as diversas qualidades das interfaces de IA generativa, mas alertam para a pressão mercadológica e para o modo aligeirado e pouco crítico com que empresas e setores dos poderes públicos tem promovido e praticado a introdução dessas tecnologias no contexto da escola formal: "O peso das evidências disponíveis sugere que a atual adoção generalizada de aplicações não regulamentadas de IA nas escolas representa um grave perigo para a sociedade civil democrática e para a liberdade e a liberdade individuais. Anos de alertas e precedentes realçaram os riscos colocados pela utilização generalizada de tecnologias digitais pré-IA na educação, que obscureceram a tomada de decisões e permitiram a exploração de dados dos alunos", alertam.

Os autores analisam que: "apesar dos riscos de levar tecnologia não testada às salas de aula e da falta de critérios de implementação ou controles regulatórios, as escolas enfrentam uma pressão implacável para “modernizar” adotando a inteligência artificial. Embora os aplicativos de IA sejam comercializados como formas de resolver problemas de ensino e aprendizagem e agilizar os processos administrativos escolares, eles carregam consigo todas as limitações, problemas e riscos inerentes aos modelos de IA utilizados para executá-los. Levar a IA às escolas aumenta a probabilidade de que essas tecnologias possam reproduzir ou intensificar muitos problemas, tornando qualquer benefício potencial menos significativo do que os danos potenciais.

Duas aplicações fortemente promovidas ilustram os perigos da adoção acrítica da IA em escolas: tutoria de chatbots, baseados em grandes modelos de linguagem, que prometem personalizar e automatizar o ensino; e plataformas de aprendizagem adaptativas, que utilizam grandes quantidades de dados dos alunos para fazer previsões, personalizar recursos e atividades em sala de aula e auto-intervir automaticamente nos processos pedagógicos. Os perigos que tais produtos representam incluem demandar aos professores mais tempo do que poupam, restringindo artificialmente a definição de “aprendizagem”, marginalizando a experiência dos professores e o relacionamento com os alunos, introduzindo erros curriculares e aumentando o preconceito e a discriminação nas salas de aula e nas escolas".