Em uma publicação recente em seu blog (link), o pesquisador britânico Ben Williamson atualizou o recorrente problema de pesquisas frágeis, e por vezes mal intencionadas, que apresentam dados pouco confiáveis sobre eventuais benefícios do uso da IAGen na educação. De fato, não se trata de algo novo no campo da edtech, sempre muito marcado pelos interesses das grandes corporações privadas em vender seus produtos e promoter soluções milagrosas para os problemas da educação. Com base nos relatos do pesquisador, o ciclo se renova sob a roupagem "modernizante" da IAGen.
A postagem relata o caso de um artigo, publicado na SpringerNature em 2025, e intitulado “The effect of ChatGPT on students’ learning performance, learning perception, and higher-order thinking” e que apregoava benefícios do Chat GPT. Após questionamentos, foi retirado do website da revista, mas já havia circulado muito em redes sociais e foi citado em muitos outros artigos. Em um artigo novo publicado na Computers & Education, Alyssa Lawson e colegas analisaram dois outros artigos de meta analises sobre a temática e concluíram que (em tradução livre): "A base de evidências revisada não parece apoiar afirmações inequívocas sobre a eficácia causal do ChatGPT na educação. Embora os estudos revisados frequentemente relatem ganhos de desempenho estatisticamente significativos nas condições do ChatGPT, a ampla falta de controle metodológico e a falta de informações instrucionais detalhadas dificultam saber se essas mudanças devem ser atribuídas à própria tecnologia ou às práticas instrucionais utilizadas junto com o ChatGPT".
Trata-se de problema recorrente no campo de estudos. Nos primórdios da chegada da internet nas escolas, um estudo conduzido em um distrito escolar dos EUA se tornou um clássico sobre esse tipo de equívoco ou manipulação. Para se prepararem para a nova tecnologia na escola, todos os professores do distrito participaram de um novo e intenso programa de formação didática continuada e, de fato constataram-se melhorias na aprendizagem dos alunos. Mas tais melhorias podem ter sido ocasionadas pela chegada da internet? Obviamente que não era possível afirmar isso com absoluta certeza no caso examinado. Desde sempre, as evidências científicas sobre os benefícios diretos das tecnologias digitais na melhoria da aprendizagem escolar, quando confiáveis, têm apontado resultados modestos, se tanto.
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