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terça-feira, 17 de março de 2026

ChatGPT Educacional, a ser lançado, não deverá gratuito

No início do mês a equipe da empresa OpenAI realizou reunião em sua sede em São Francisco, nos EUA, reunindo mais de uma centena de dirigentes de universidades daquele país para discutir o lançamento de uma versão educacional do ChatGPT no próximo ano. Em seu blog (link), Marc Watkins critica os usos excessivos e antiéticos da IA já realizados pelos alunos -- e que causam sérios danos à aprendizagem -- e indaga se a empresa irá equacionar esses problemas antes de lançar um produto comercial e que certamente acarretará altos custos financeiros para as universidades (pelo menos em se tratando do contexto norte-americano). 

Segundo Watkins, "... não houve nenhuma discussão aprofundada sobre a rapidez com que o cenário mudou, desde o ensino iterativo de IA aos alunos até a forma como os agentes agora automatizam tarefas cada vez mais. Chatbots e agentes de IA gratuitos e onipresentes romperam com os sinais tradicionais que buscamos na avaliação da aprendizagem dos alunos, e até mesmo empresas como a OpenAI estão com dificuldades para articular como será a aprendizagem daqui a um ano".




sexta-feira, 9 de maio de 2025

Críticas ao avanço da IA nas escolas e universidades

Se no Brasil um dos destaques no campo dos estudos da Inteligência Artificial foi o lançamento de um relatório sobre o uso da IA nas universidades intitulado "IA e Ensino Público Superior no Brasil Recomendações para políticas institucionais de governança" (link), fora daqui alguns pesquisadores repercutiram duas publicações importantes de colegas da área e que servem de contraponto ao que parece ser a naturalização da IA na educação formal. 

Primeiro, o pesquisador James O'Sullivan publicou um ensaio provocador em sua página no Substack questionando se não seria o caso de as universidades serem iletradas em IA (link). Com isso, o autor quis chamar a atenção à falta de críticas à incorporação dessas tecnologias na universidade e o papel dessas instituições em atuarem como um espaço para crítica e reflexão sobre o fenomeno. Eles escreveu: "O ensino superior há muito se orgulha de resistir às demandas do imediatismo. Não produzimos estudos na velocidade da tendência; deliberamos, criticamos, contextualizamos. Se aceitarmos esse ethos, então certamente uma das posições mais valiosas que um acadêmico pode ocupar é a de desinteresse deliberado - uma recusa epistêmica de naturalizar o determinismo tecnológico. Não adotar imediatamente a linguagem de tokens e transformers é preservar um espaço no qual o significado, a metáfora e a crítica humanística ainda podem importar".


Por usa vez, o pesquisador britânico Ben Williamson citou O'Sullivan e avançou em outra direção em postagem no seu blog (link). A preparação da OCDE para que o seu exame PISA passe a medir as habilidades dos alunos com a IA e o seu alerta para o fato de que isso possa acelerar as ações de escolas e de educadores em todo o mundo para treinar seus alunos na perspectiva do desenvolvimento das ditas melhores habilidades no uso da tecnologia (na linha de como escrever os melhores prompts e como checar a acurácia das informações gerada pelos sistemas dito inteligentes). Williamson escreveu: "A OCDE não é um ator neutro quando se trata de IA – há vários anos promove o uso da IA na educação e produz regularmente declarações históricas sobre seus efeitos transformadores. Grande parte de sua ênfase está nos efeitos da IA na economia e, portanto, na manutenção da produtividade e do progresso econômico por meio da qualificação tecnológica. Agora, por meio do teste de alfabetização em IA, está exercendo sua autoridade política sobre como as habilidades de IA devem ser definidas e valorizadas".