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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Frágeis evidências científicas sobre benefícios a IAGen na educação

Em uma publicação recente em seu blog (link), o pesquisador britânico Ben Williamson atualizou o recorrente problema de pesquisas frágeis, e por vezes mal intencionadas, que apresentam dados pouco confiáveis sobre eventuais benefícios do uso da IAGen na educação. De fato, não se trata de algo novo no campo da edtech, sempre muito marcado pelos interesses das grandes corporações privadas em vender seus produtos e promoter soluções milagrosas para os problemas da educação. Com base nos relatos do pesquisador, o ciclo se renova sob a roupagem "modernizante" da IAGen.


A postagem relata o caso de um artigo, publicado na SpringerNature em 2025, e intitulado “The effect of ChatGPT on students’ learning performance, learning perception, and higher-order thinking” e que apregoava benefícios do Chat GPT. Após questionamentos, foi retirado do website da revista, mas já havia circulado muito em redes sociais e foi citado em muitos outros artigos. Em um artigo novo publicado na Computers & Education, Alyssa Lawson e colegas analisaram dois outros artigos de meta analises sobre a temática e concluíram que (em tradução livre): "A base de evidências revisada não parece apoiar afirmações inequívocas sobre a eficácia causal do ChatGPT na educação. Embora os estudos revisados frequentemente relatem ganhos de desempenho estatisticamente significativos nas condições do ChatGPT, a ampla falta de controle metodológico e a falta de informações instrucionais detalhadas dificultam saber se essas mudanças devem ser atribuídas à própria tecnologia ou às práticas instrucionais utilizadas junto com o ChatGPT". 

Trata-se de problema recorrente no campo de estudos. Nos primórdios da chegada da internet nas escolas, um estudo conduzido em um distrito escolar dos EUA se tornou um clássico sobre esse tipo de equívoco ou manipulação. Para se prepararem para a nova tecnologia na escola, todos os professores do distrito participaram de um novo e intenso programa de formação didática continuada e, de fato constataram-se melhorias na aprendizagem dos alunos. Mas tais melhorias podem ter sido ocasionadas pela chegada da internet? Obviamente que não era possível afirmar isso com absoluta certeza no caso examinado. Desde sempre, as evidências científicas sobre os benefícios diretos das tecnologias digitais na melhoria da aprendizagem escolar, quando confiáveis, têm apontado resultados modestos, se tanto.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Parceria entre sindicatos e Big Techs nos EUA para treinamento de professores para IA

Em meio ao desmantelamento do sistema público de educação nos EUA pela administração de Donald Trump, os dois maiores sindicatos de professores do país procuraram empresas de IA em busca de financiamento para o treinamento de professores (link).  Se comparados ao poder de investimento bilionário dessas empresas, as iniciativas ainda são tímidas, mas acredita-se que os valores irão aumentar muito no futuro. Para tentar se resguardar minimamente, os sindicatos incluíram no acordo a regra de que que a concepção, os conteúdos dos treinamentos serão desenvolvidos e irão pertencer legalmente aos professores - e não às empresas de IA. E que, para as atividades de treinamento, poderão ser utilizadas tecnologias de quaisquer empresas, independentemente da fonte financiadora. 

O segundo maior sindicato do país (AFT) irá construir um centro de formação em Nova York e irá oferecer treinamento presencial e a distância, e os cursos irão operar no sistema de gerar microcredenciais aos participantes. O objetivo é abrir pelo menos mais dois polos no país e treinar 400.000 professores nos próximos cinco anos.

Até o momento, segundo notícia da AP News, a Microsoft está contribuindo com US$ 12,5 milhões para a AFT ao longo de cinco anos. A OpenAI está fornecendo US$ 8 milhões em financiamento e US$ 2 milhões em recursos técnicos, e a Anthropic ofereceu US$ 500.000. 

Segundo o próprio presidente da Microsoft, Brad Smith, os professores devem ter uma "dose saudável de ceticismo" sobre o papel das empresas de tecnologia. "Embora seja fácil ver os benefícios agora, devemos sempre estar atentos ao potencial de consequências não intencionais", disse Smith em uma entrevista, apontando para preocupações como o possível impacto da IA no pensamento crítico. "Temos que ter cuidado. É cedo."

O governo Trump incentiva o investimento privado e criou recentemente uma Força-Tarefa de Educação em IA como parte de um esforço para alcançar o "domínio global em inteligência artificial". Até agora, mais de 100 empresas se inscreveram para financiá-la.  Além disso, a Microsoft revelou uma iniciativa de US$ 4 bilhões para treinamento, pesquisa e doação de suas ferramentas de IA para professores e alunos, incluindo o acesso gratuito às ferramentas do Microsoft CoPilot. O Google diz que investirá US$ 1 bilhão para programas de educação e treinamento profissional em IA, incluindo acesso gratuito à sua plataforma Gemini for Education para escolas de ensino médio dos EUA.



This article describes initiatives with both the American Federation of Teachers and the National Education Association. The amounts described are relatively small given the number of teachers in the two associations, but there's the promise of more as the tech companies are looking at investing billions to support adoption of AI in schools. "Both unions set similar terms: Educators, not the private funders, would design and lead trainings that include AI tools from multiple companies. The unions own the intellectual property for the trainings, which cover safety and privacy concerns alongside AI skills."