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quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Parceria entre sindicatos e Big Techs nos EUA para treinamento de professores para IA

Em meio ao desmantelamento do sistema público de educação nos EUA pela administração de Donald Trump, os dois maiores sindicatos de professores do país procuraram empresas de IA em busca de financiamento para o treinamento de professores (link).  Se comparados ao poder de investimento bilionário dessas empresas, as iniciativas ainda são tímidas, mas acredita-se que os valores irão aumentar muito no futuro. Para tentar se resguardar minimamente, os sindicatos incluíram no acordo a regra de que que a concepção, os conteúdos dos treinamentos serão desenvolvidos e irão pertencer legalmente aos professores - e não às empresas de IA. E que, para as atividades de treinamento, poderão ser utilizadas tecnologias de quaisquer empresas, independentemente da fonte financiadora. 

O segundo maior sindicato do país (AFT) irá construir um centro de formação em Nova York e irá oferecer treinamento presencial e a distância, e os cursos irão operar no sistema de gerar microcredenciais aos participantes. O objetivo é abrir pelo menos mais dois polos no país e treinar 400.000 professores nos próximos cinco anos.

Até o momento, segundo notícia da AP News, a Microsoft está contribuindo com US$ 12,5 milhões para a AFT ao longo de cinco anos. A OpenAI está fornecendo US$ 8 milhões em financiamento e US$ 2 milhões em recursos técnicos, e a Anthropic ofereceu US$ 500.000. 

Segundo o próprio presidente da Microsoft, Brad Smith, os professores devem ter uma "dose saudável de ceticismo" sobre o papel das empresas de tecnologia. "Embora seja fácil ver os benefícios agora, devemos sempre estar atentos ao potencial de consequências não intencionais", disse Smith em uma entrevista, apontando para preocupações como o possível impacto da IA no pensamento crítico. "Temos que ter cuidado. É cedo."

O governo Trump incentiva o investimento privado e criou recentemente uma Força-Tarefa de Educação em IA como parte de um esforço para alcançar o "domínio global em inteligência artificial". Até agora, mais de 100 empresas se inscreveram para financiá-la.  Além disso, a Microsoft revelou uma iniciativa de US$ 4 bilhões para treinamento, pesquisa e doação de suas ferramentas de IA para professores e alunos, incluindo o acesso gratuito às ferramentas do Microsoft CoPilot. O Google diz que investirá US$ 1 bilhão para programas de educação e treinamento profissional em IA, incluindo acesso gratuito à sua plataforma Gemini for Education para escolas de ensino médio dos EUA.



This article describes initiatives with both the American Federation of Teachers and the National Education Association. The amounts described are relatively small given the number of teachers in the two associations, but there's the promise of more as the tech companies are looking at investing billions to support adoption of AI in schools. "Both unions set similar terms: Educators, not the private funders, would design and lead trainings that include AI tools from multiple companies. The unions own the intellectual property for the trainings, which cover safety and privacy concerns alongside AI skills."

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Meta-edtech, o significado de tecnologia educacional e Google e o "novo" professor: destaques da nova edição do Learning, Media and Technology

Acaba de ser publicada a primeira edição de 2021 do periódico Learning, Media and Technology (link). O editorial discute dois novos componentes do campo de estudo surgidos em 2020 e que denominam meta-edtech: "dois tipos específicos de organizações e plataformas de tecnologia associadas tornaram-se especialmente evidentes durante o primeiro ano da pandemia: novos intermediários de evidências edtech projetados para educar líderes, professores e especialistas em compras sobre as evidências de 'o que funciona' em tecnologia educacional; e empresas de inteligência de mercado edtech que ajudam os investidores a 'aprender' sobre o valor de investir em tecnologias educacionais"(em tradução livre). Segundo o editor Ben Williamson, meta-edtech "significa tecnologias educacionais emergentes relacionadas à edtech, desenvolvidas e hospedadas por organizações intermediárias que operam entre diferentes grupos constituintes do ecossistema edtech. Parece provável que as organizações meta-edtech e suas plataformas para avaliar edtech se tornarão cada vez mais influentes no financiamento e na modelagem do desenvolvimento e uso de edtech nos próximos anos". Nesta edição, destaque para dois artigos:

O primeiro é intitulado What in the world is educational technology? Rethinking the field from the perspective of the philosophy of technology, de Tao An e Martin Oliver. A partir de formulações filosóficas de Marx e Heidegger, o artigo propõe " uma fundação [filosófica] que possa ajudar os pesquisadores a repensar a tecnologia educacional, expandindo a pesquisa para dar conta das relações humano-educação, humano-tecnologia e educação-tecnologia. Propõe-se que as relações humano-educação devem fazer com que os alunos ‘se tornem o que são’, destacando sua subjetividade ao invés de se concentrar na informação. As relações homem-tecnologia podem mudar o foco da prática de design [da prática educacional], de modo que a tecnologia não seja vista apenas como uma ferramenta eficiente, mas como algo "útil" para as necessidades educacionais das pessoas".

O segundo artigo, que está aberto para livre acesso no momento no site da editora, é intitulado Google and the end of the teacher? How a figuration of the teacher is produced through an ed-tech discourse, de Malin Ideland. O artigo "analisa como se constrói a imagem do professor dentro de um discurso ed-tech e como ele organiza como pensamos o ensino hoje. Foi baseado em entrevistas com 25 ‘edupreneurs’ que vendem hardware, software e / ou desenvolvimento profissional para ferramentas digitais para escolas suecas. A análise ilumina como o "professor desejado" é semelhante ao que é conceituado como uma cultura do Vale do Silício, privilegiando características valorizadas no setor de TI. Esse professor orienta em vez de dar aulas, é flexível e está pronto para trabalhar quando e onde quer. Ele personaliza seu trabalho de acordo com o aluno e suas necessidades de conhecimento, localização e prazos, enfatizando que a educação é um negócio pessoal. Acredita-se que partes "enfadonhas" do trabalho (classificação e avaliação) sejam assumidas pela tecnologia. O professor deve ser aquele que promete diversão e criatividade para formar sonhadores do futuro e trabalhadores na economia do conhecimento".

terça-feira, 2 de julho de 2019

Google permite salvar notas de alunos online e oferece certificação

Google anuncia melhorias no Classroom, um novo aplicativo para gestão e ensino do Chromebook -- permitindo digitar e salvar notas e comentários sobre trabalhos de alunos on-line nos servidores da empresa -- e amplia programas e cursos com certificação para estudantes. A empresa não se limita mais apenas em desenvolver novas tecnologias para fins educacionais, mas oferece cursos online para certificação formal, em letramento digital no uso de suas próprias ferramentas por exemplo (uma ação antes restrita aos professores usuários) e em TI em geral. Medidas quanto à garantia da segurança e da privacidade dos dados de professores e alunos, informa o texto, estão sendo tomadas pelo Google em linha com o  Student Data Privacy Consortium e o  Family Online Safety Institute