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segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Artigo indica pequeno ganho de aprendizagem de alunos menos privilegiados com o uso de tecnologias digitais na escola

Artigo recente publicado no periódico Computers & Education, baseado em ampla revisão de literatura, indicou que o uso de tecnologias digitais na escola pode ser ligeiramente benéfico na melhora da aprendizagem dos alunos menos privilegiados, seja daqueles que integram turmas diversas nos ditos países "desenvolvidos", seja tomando toda a população de estudantes dos chamados países "sub-desenvolvidos". Intitulado A meta-analysis on the effect of technology on the achievement of less advantaged students (link), o artigo analisou 72 estudos na temática e concluiu que "iniciativas de tecnologia educacional são consideradas como tendo um efeito pequeno, positivo e estatisticamente significativo que permanece mesmo após a correção para viés de publicação [...] o aprendizado assistido por computador e as intervenções comportamentais são mais eficazes em aumentar o desempenho de alunos menos favorecidos do que o simples acesso à tecnologia. Curiosamente, o efeito dessas duas intervenções parece ser de magnitude semelhante. Finalmente, o uso de tecnologias digitais está associado a melhorias ligeiramente maiores em matemática e ciências do que na área das humanidades". 

Nesse sentido, os autores destacam que "a disponibilização de tecnologias digitais precisa ser acompanhada de orientação e supervisão adequadas para garantir que todos os alunos possam aproveitar os benefícios da tecnologia para melhorar seu desempenho educacional".

E analisam: "em contextos socioeconômicos menos privilegiados, intervenções comportamentais utilizando tecnologias digitais podem precisar ser acompanhadas por outras medidas para serem mais eficazes. Por exemplo, intervenções que visam aumentar o envolvimento dos pais na educação podem funcionar melhor se forem complementadas por programas que forneçam conteúdo e suporte presencial. Embora as intervenções comportamentais sejam projetadas para superar barreiras psicológicas e informacionais, espera-se que esses outros programas tenham um impacto nas habilidades cognitivas dos alunos".

segunda-feira, 17 de maio de 2021

Listagem de milhares de conferências em edtech em 2021

Acaba de ser divulgada a extensa, detalhada e verificada lista de 155 páginas com milhares de conferências a serem realizadas em países diversos na área de tecnologias digitais e educação, edtech, de junho a dezembro de 2021. A lista é preparada anualmente pelo pesquisador canadense Clayton R. Wright e está disponível através deste link

Segundo Wright, "conforme as pessoas são vacinadas, mais eventos serão realizados de maneira híbrida ou presencial. Mas, alguns podem reverter rapidamente para um formato online que pode manter as mesmas datas ou esticar os eventos online por dias ou semanas [...] As associações são particularmente afetadas, pois muitas dependem de eventos presenciais para ajudar a gerar fundos para pagar a equipe e atividades de apoio, como a publicação de periódicos avaliados. Podemos querer que os eventos online sejam gratuitos, mas custa a alguém tempo e recursos para organizá-los e produzi-los de forma consistente ano após ano. Como a maioria dos eventos de desenvolvimento profissional 2021 tem opção online, é possível conhecer eventos de todo o mundo sem sair do conforto de sua casa".

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Novo livro sobre multiletramentos da série Informática na Educação

Acaba de ser lançado novo livro intitulado Multiletramentos e Informática na Escola, de autoria de Marcelo Buzato, professor da UNICAMP e um dos mais profícuos teóricos nessa área no país (link). O livro integra a série de publicações Informática na Educação da SBC (Sociedade Brasileira da Computação) e traz os seguintes capítulos/temas, além de leituras recomendadas e exercícios sobre os temas abordados: 

1 A informática como o novo tempo do espírito humano

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Quatro problemáticas das tecnologias digitais e da educação a distância no contexto emergencial do Covid-19


Em excelente editorial do periódico Learning, Media and Technology de 21 de maio,  os editores britânicos Ben Williamson, Rebecca Eynon e John Potter elaboram 4 problemáticas das tecnologias digitais e da educação a distância no contexto emergencial do coronavírus: a economia política da pedagogia da pandemia, as desigualdades digitais, os novos espaços-tempos e hierarquias da pedagogia e as experimentações emergentes com as tecnologias educacionais. Os pesquisadores alertam para o fato de que "política pandêmica agora está se desenrolando através de tentativas de incorporar sistemas e práticas de educação pública, em âmbito internacional, em sistemas tecnológicos cada vez mais poderosos" e incentivam renovadas pesquisam que examinem essas práticas e seus efeitos" e alertam para a necessidade do exame detalhado e cuidadoso dos efeitos e consequências dessas práticas. O artigo completo está disponível neste link.


Ao analisarem as quatro problemáticas, os editores se baseiam em alguns estudos prévios e alertam para o forte caráter de oportunidade de negócios que a indústria das tecnologias educacionais tem imprimido ao período da pandemia e para a necessidade de sérios cuidados diante da expansão de sistemas nacionais de educação pública para essas plataformas comerciais online adentrando as casas dos estudantes com destaque a organismos internacionais como Unesco e Banco mundial nesse cenário em rápida transformação e disputas entre EUA e china também neste cenário. Alertam também para a fragilidade da retórica entorno dos nativos digitais e das muitas dificuldades de jovens em se manterem aptos da fazerem bom uso das tecnologias digitais para a aprendizagem, levantando a pergunta sobre o nível adequado de acesso digital e como jovens e famílias podem receber o suporte necessário para estudar em casa de forma sustentável e duradoura e os riscos imprevisíveis gerados pela ampliação do acesso.
Ao ratarem da terceira problemática citada, cunham o termo Bring Your Own School Home (BYOSH) (algo como: traga sua própria escola para casa) alertando para as múltiplas e exaustivas interferências com rotinas domésticas e familiares daí advindas da polissincrona aprendizagem remota e potencial sobrecarga cognitiva de professores, alunos e pais. Apontam para a terceira via do que nomeiam "Tecnologias de convívio".  "Aqui, poderíamos invocar a noção de práticas que remetem ao poder, em que a direção do fluxo não se trata de "conteúdo" sendo entregue a jusante pelo algoritmo, mas de espaços mais abertos, agentes e produtivos para alunos e educadores", afirmam os editores. No que se refere à última problemática, a da experimentação atual com tecnologias educacionais no universo de 1,5 bilhões de estudantes do planeta, apontam para o surgimento de grandes bases de dados sobre eficácia dessas tecnologias e os ricos de precarização do trabalho dos educadores, acentuando o fortalecimento das práticas de dataficação e massificação, através da significativa ampliação dos usos das tecnologias em rede, na área educacional. "À medida que milhões de estudantes se inscrevem em novas plataformas para poder acessar a educação durante a pandemia, é necessário trazer de volta ao foco as preocupações de longa data sobre privacidade de dados e o uso de dados para caracterização e controle dos alunos", concluem.






terça-feira, 3 de março de 2020

Novo livro sobre os 25 anos da área de EdTech

Acaba de ser lançado, para download gratuito, livro do pesquisador canadense Martin Weller sobre os 25 anos da área de estudos e práticas da EdTech (Educação e Tecnologias digitais). O livro traz um capítulo introdutório em que o autor descreve e critica os ciclos repetitivos de "inovação" nesse campo de estudos e práticas -- fenômenos chamado de amnésia histórica pelo autor -- e apresenta 25 capítulos, cada um deles desenvolvido em torno de um ano e da respectiva tecnologia de destaque no período. Novo link para download.

Inicia, dessa forma, com os BBS, em 1994, e segue até 2017 com o Blockchain. Um capítulo final discute o futuro distópico gerado pelo "virada" no campo com a hegemonia dos interesses econômicos privados e os processos de vigilância e coleta massiva de dados em rede.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Reflexões sobre capitalismo de vigilância e informática educativa

A escritora e pesquisadora Audrey Watters, que produz há quase dez anos o excelente blog Hack Education, publicou recentemente artigo em que apresenta ideias do livro A Era do Capitalismo de Vigilância, de Shoshana Zuboff, e discute a relação de algumas ideias da autora com o estágio atual da área de informática educativa. 
Watters alerta para as ações do google e Facebook, em particular, que fomentam ações no campo da educação e dessa forma coletam e utilizam dados de usuários nesse contexto a fim de obter lucrativa exploração comercial e polêmica influência comportamental (desde os primórdios da informática educativa, na perspectiva de B. F. Skinner e outros), na linha de Zuboff.  "O aprendizado personalizado depende da extração e análise de dados; exorta e recompensa os alunos e promete que todos alcançarão 'alto conhecimento'. Dá a ilusão de liberdade e autonomia talvez - pelo menos em sua própria forma de ver as coisas; mas o aprendizado personalizado é fundamentalmente sobre condicionamento e controle", critica. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Novo número temático sobre TICs e educação da revista britânica Impact

Acaba de ser publicada edição temática da revista britânica Impact com dezenas de artigos de pesquisadores sobre a área de tecnologias digitais na educação e temáticas emergentes. Veja os artigos aberto para leitura livre, sem necessidade de associação, aqui.

No editorial, o veterano pesquisador da área Neil Selwyn faz um breve balanço das últimas décadas de pesquisas e práticas nesse campo e aponta para as dificuldades em se obter progressos nas escolas, na aprendizagem e nas práticas dos professores, sem incorrer no erro de culpar os docentes. Ao contrário, o pesquisador insinua que os interesses dos fabricantes de tecnologias digitais têm sido um grave problema e alerta contra o entusiasmo vazio sempre gerado pelas inovações tecnológicas -- o que a história em geral desconstrói -- e aponta algumas diretrizes mais simples para o campo de pesquisa e a prática docente atual. Ao concluir, Selwyn afirma que (em tradução livre):

"Tudo isso aponta para a necessidade de abordar o uso da tecnologia nas escolas de uma maneira mais realista do que idealista. Isso envolve ser questionador, objetivo, perspicaz, desinteressado e desapaixonado quando se trata das alegações feitas sobre tecnologias específicas. Isso envolve estar curioso sobre os problemas - assim como o potencial - de novas tecnologias. Acima de tudo, isso envolve ver a tecnologia digital como algo que requer muita reflexão e colaboração com os outros ao seu redor.

A tecnologia digital, sem dúvida, envolve mais (e não menos) pensamento e esforço para os professores. É claro que há muitos benefícios a serem obtidos ao se envolver com a grande variedade de oportunidades digitais que estão agora disponíveis para as escolas. No entanto, talvez seja mais proveitoso ver sempre a tecnologia digital como uma escolha. A tecnologia digital não é algo que os professores tenham que se adaptar da melhor maneira possível. Em vez disso, a tecnologia digital deve ser algo com o qual você se envolve em seus próprios termos, para atingir seus próprios objetivos e atender às suas próprias necessidades. Usada adequadamente, a tecnologia digital pode ser uma adição poderosa ao repertório de qualquer professor. Espero que esses artigos forneçam muito alimento para o pensamento."


quarta-feira, 7 de novembro de 2018

As tecnologias digitais e a educação a distância no novo livro Reinventando Freire

O Instituto Paulo Frente lançou, em parceira com o professor Martin Carnoy, da Stanford University, o livro intitulado Reiventando Freire. A Práxis do Instituto Paulo Freire em celebração ao aniversário de 50 anos do livro A Pedagogia do Oprimido. A obra está disponível para download gratuito mediante cadastro e centra-se na atualidade das ideias e proposições do mais importante filosofo da educação brasileiro. Segundo Moacir Gadotti, organizador da obra e co-editor do livro, "a educação, no mundo, passa por uma crise grave, associada à crise civilizatória atual, e Paulo Freire pode ser uma inspiração para o surgimento de novas políticas públicas de educação [...] Sim, nós temos referenciais. Nós temos caminhos a seguir. Não estamos perdidos. Nós caminhamos por sendas de lutas e utopias, com um novo jeito de caminhar, juntos, na reinvenção de Freire, mantendo viva a luta por uma educação emancipadora. E somos apaixonados pelo que fazemos".


Além das discussões de temática geral a partir dos princípios da obra freireana, o livro contém capítulos que buscam dialogar mais especificamente com o campo das tecnologias digitais na educação e a EaD. Nesses casos, reforçam diversos princípios do pensamento e da práxis freireana, mas se fragilizam ao revelar dificuldades par abordar especificidades das práticas ciberculturais e dos sujeitos que atuam em redes, distanciando-se por vezes de problemáticas centrais do campo do ensinar e do aprender hoje. Paulo Blikstein (Stanford University), em capítulo intitulado Paulo Freire vai a Palo Alto: tecnologias e pedagogias ensinar progressistas, argumenta que a busca de uma real "educação personalizada" e da Cultura Maker nas escolas de elite localizadas no coração do capitalismo norte-americano abrem espaço para muitas ideias de Freire hoje naquele país, onde tradicionalmente já estão muito presentes nas iniciativas da educação progressista junto às camadas menos favorecidas economicamente.

Na seção da obra dedicada ao Ensino Superior, Paulo Roberto Padilha (USP) contribui com o capítulo intitulado EAD freireana como educação emancipatória e criativa, com base na colaboração com fins de formação crítica e construção criativa e coletiva do conhecimento em comunidades virtuais de aprendizagem, ainda que de forma pouco detalhada e sem tratar de muitas das especificidades de práticas atuais dos estudantes com tecnologias digitais em rede. Anderson Fernandes de Alencar (USP/UFRPE) é o autor do capítulo Lições do passado e educação do futuro: informática, software livre e compartilhamento do conhecimento em Paulo Freire. Com base em pesquisa para sua dissertação de mestrado, o autor apresenta aspectos da filosofia do software livre e menciona brevemente o que chama de Pedagogia da Migração, referindo-se a experiência de troca de software proprietário por software livre por uma ONG pesquisada. No tópico sobre compartilhamento do conhecimento,  relata a experiência do projeto “Paulo Freire Memória e Presença: preservação e democratização do acesso ao patrimônio cultural brasileiro. O autor aponta também para o papel das metodologias da sala de aula invertida, do ensino híbrido e da produção de conhecimento com liberdade e autonomia para o futuro da educação de base freireana.


terça-feira, 11 de setembro de 2018

Perspectiva feminista da edtech nos 25 anos da ALT

A apresentação do trabalho de Frances Bell e Catherine Cronin  na conferência dos 25 anos da ALT criticou "o prevalente caráter machista e sexista" do setor de tecnologias digitais e destacou, ao resumir os temas mais frequentes no período, a Aprendizagem Ativa, a Aprendizagem Aberta e a Aprendizagem Social. Ao abordarem as duas primeiras, as pesquisadoras o fizeram através de suas próprias trajetórias pessoais e profissionais na área e solicitaram a contribuição, em tempo real dos participantes, para que pudessem construir uma "memória mais humanizada" dos caminhos trilhados por tais conceitos desde 1984. Mais detalhes da apresentação nas imagens - há um link para acesso dos materiais da pesquisa e da apresentação.








segunda-feira, 10 de setembro de 2018

25 anos da Lista de Discussão da ALT e Congresso Anual

O pesquisador britânico Martin Weller , da Open University, acaba de concluir uma série de 27 posts, em seu blog, sobre os 25 anos da Lista de Discussão da ALT em que detalha e analisa temáticas, tendências e questões que marcaram o período no campo das tecnologias digitais e educação. Vale muito ler e compartilhar o trabalho do pesquisador. 

A propósito, a conferência anual da ALT inicia-se amanhã e possibilita a participação remota com live streaming, etc.


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Conferência Challenges em Portugal




Já está disponível a chamada de trabalhos para o Challenges 2015, IX Conferência Internacional de TIC na Educação. O evento celebra os 30 anos do projeto Minerva em Portugal e centra-se na oportuna temática dos paradigmas emergentes da educação atual. Mais detalhes no site no evento.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Livro gratuito de Neil Selwyn



Está disponível na plataforma de compartilhamento Scribd um ótimo livro do professor e pesquisador Neil Selwyn que trata das escolas diante da cultura digital. A obra intitula-se School and Schooling in the Digital Age (algo como Escolas e Educação na Era Digital) e foi publicada na Inglaterra em 2011. O professor Selwyn destaca-se por sua visão crítica do fenômeno das TICs na educação e é uma referência na área de estudos, atuando no London Knowledge Lab, da Universidade de Londres.




University of London, UK.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Artigos de opinião sobre TICs e games na educação


Recentemente publicamos dois artigos de opinião na imprensa sobre TICs e games na educação. São artigos curtos, que apontam tendências e problemáticas na área:
TICs
Games

quinta-feira, 14 de agosto de 2014