Mostrando postagens com marcador tecnologias digitais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tecnologias digitais. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

UNESCO publica análise crítica do uso das tecnologias digitais na educação durante a pandemia do COVID-19

A UNESCO acaba de lançar publicação, bastante crítica e necessária, em que apresenta uma análise detalhada dos problemas gerados pelo abrupto e abrangente uso das tecnologias digitais - em grande parte, as de comunicação síncrona e assíncrona - diante da suspensão das aulas presenciais durante a pandemia do COVID-19. O livro intitula-se An ed-tech tragedy? Educational technologies and school closures in the time of COVID-19 (link). 

Na apresentação da obra a UNESCO já indica o tom das análises e da conclusão: "Este livro examina as inúmeras consequências adversas e não intencionais da mudança para a tecnologia educacional. Ele documenta como as soluções tecnológicas deixaram para trás a maioria global dos alunos e detalha as muitas maneiras pelas quais a educação foi precarizada, mesmo quando a tecnologia estava disponível e funcionava conforme planejado". E detalha: "a evidência global revela um quadro mais sombrio. Ele expõe as maneiras pelas quais a dependência educacional sem precedentes da tecnologia muitas vezes resultou em exclusão desenfreada, desigualdade impressionante, danos inadvertidos e popularização de modelos de aprendizagem que colocam as máquinas e o lucro acima das pessoas".

E indica formas para reduzir os danos causados e para avançar nas melhorias necessárias: "Ao desvendar o que deu errado [a obra] extrai lições e recomendações para garantir que a tecnologia facilite, em vez de subverter, os esforços para garantir a oferta universal de educação pública inclusiva, equitativa e centrada no ser humano".

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Relatório da Unesco aponta impasses no uso das tecnologias digitais na educação

Nova publicação da Unesco, intitulada "Relatório de monitoramento global da educação, resumo, 2023: A tecnologia na educação: uma ferramenta a serviço de quem?" (link), aponta diversos elementos importantes para se compreender avanços e dilemas existentes após algumas décadas do uso das tecnologias digitais a fim de aprimoramento do ensino e da aprendizagem escolar.  As principais conclusões foram apresentadas em 6 tópicos temáticos, destacando-se: 

  • Evidências sólidas e imparciais do impacto da tecnologia educacional são escassas. Boa parte das evidências são produzidas pelos que estão tentando vendê-las; 
  • A tecnologia pode ser uma salvação para a educação de milhões, mas exclui muito mais pessoas. Em todo o mundo, apenas 40% das escolas primárias, 50% das escolas de primeiro nível da educação secundária estão conectadas à internet; 
  • Algumas tecnologias educacionais podem melhorar alguns tipos de aprendizagem em alguns contextos. A tecnologia digital aumentou de forma dramática o acesso a recursos de ensino e aprendizagem, mas teve efeitos positivos baixos a moderados em alguns tipos de aprendizagem;
  • O conteúdo online aumentou sem que houvesse regulamentação suficiente de controle de qualidade ou diversidade. O conteúdo digital é produzido por grupos dominantes, o que afeta quem o acessa;
  • Compra-se tecnologia, muitas vezes, para “tapar um buraco”, sem olhar para os custos no longo prazo.

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Tecnologias digitais e transformações no ensino superior

Um relatório publicado pela empresa de consultoria mercadológica McKinsey, baseado em pesquisa com centenas de professores e alunos de universidades dos EUA (incluindo representações de minorias) em 2021, indicou o interesse deles em continuarem a utilizar tecnologias digitais empregadas durante a pandemia da Covid-19, em contraste com o que chamam de falta de apoio institucional para que isso se estabeleça naquele país (link). 

Foram pesquisadas oito tecnologias digitais utilizadas para a aprendizagem, como aquelas dedicadas ao monitoramento do progresso dos alunos, de exercícios voltados à aprendizagem, aos trabalhos em grupo, de realidade virtual, de comunidades virtuais, etc.. Todas foram vistas de forma positiva pelos alunos e cujo uso por eles mais do que dobrou no intervalo da pandemia, destacando-se o caráter de entretenimento e de "eficiência" percebidos pelos usuários. 

O mesmo movimento de forte adoção das tecnologias foi percebido entre professores, mas o relatório aponta a necessidade de mais treinamento para os docentes. No âmbito das universidades, o relatório afirma que a principal causa da baixa institucionalização das tecnologias digitais na aprendizagem é a falta de conhecimento dos gestores. Trata-se de um mercado emergente e que envolve gastos de bilhões de dólares com essas tecnologias educacionais.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Quatro problemáticas das tecnologias digitais e da educação a distância no contexto emergencial do Covid-19


Em excelente editorial do periódico Learning, Media and Technology de 21 de maio,  os editores britânicos Ben Williamson, Rebecca Eynon e John Potter elaboram 4 problemáticas das tecnologias digitais e da educação a distância no contexto emergencial do coronavírus: a economia política da pedagogia da pandemia, as desigualdades digitais, os novos espaços-tempos e hierarquias da pedagogia e as experimentações emergentes com as tecnologias educacionais. Os pesquisadores alertam para o fato de que "política pandêmica agora está se desenrolando através de tentativas de incorporar sistemas e práticas de educação pública, em âmbito internacional, em sistemas tecnológicos cada vez mais poderosos" e incentivam renovadas pesquisam que examinem essas práticas e seus efeitos" e alertam para a necessidade do exame detalhado e cuidadoso dos efeitos e consequências dessas práticas. O artigo completo está disponível neste link.


Ao analisarem as quatro problemáticas, os editores se baseiam em alguns estudos prévios e alertam para o forte caráter de oportunidade de negócios que a indústria das tecnologias educacionais tem imprimido ao período da pandemia e para a necessidade de sérios cuidados diante da expansão de sistemas nacionais de educação pública para essas plataformas comerciais online adentrando as casas dos estudantes com destaque a organismos internacionais como Unesco e Banco mundial nesse cenário em rápida transformação e disputas entre EUA e china também neste cenário. Alertam também para a fragilidade da retórica entorno dos nativos digitais e das muitas dificuldades de jovens em se manterem aptos da fazerem bom uso das tecnologias digitais para a aprendizagem, levantando a pergunta sobre o nível adequado de acesso digital e como jovens e famílias podem receber o suporte necessário para estudar em casa de forma sustentável e duradoura e os riscos imprevisíveis gerados pela ampliação do acesso.
Ao ratarem da terceira problemática citada, cunham o termo Bring Your Own School Home (BYOSH) (algo como: traga sua própria escola para casa) alertando para as múltiplas e exaustivas interferências com rotinas domésticas e familiares daí advindas da polissincrona aprendizagem remota e potencial sobrecarga cognitiva de professores, alunos e pais. Apontam para a terceira via do que nomeiam "Tecnologias de convívio".  "Aqui, poderíamos invocar a noção de práticas que remetem ao poder, em que a direção do fluxo não se trata de "conteúdo" sendo entregue a jusante pelo algoritmo, mas de espaços mais abertos, agentes e produtivos para alunos e educadores", afirmam os editores. No que se refere à última problemática, a da experimentação atual com tecnologias educacionais no universo de 1,5 bilhões de estudantes do planeta, apontam para o surgimento de grandes bases de dados sobre eficácia dessas tecnologias e os ricos de precarização do trabalho dos educadores, acentuando o fortalecimento das práticas de dataficação e massificação, através da significativa ampliação dos usos das tecnologias em rede, na área educacional. "À medida que milhões de estudantes se inscrevem em novas plataformas para poder acessar a educação durante a pandemia, é necessário trazer de volta ao foco as preocupações de longa data sobre privacidade de dados e o uso de dados para caracterização e controle dos alunos", concluem.