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segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Novo livro de Lovink reflete sobre possível fim da internet

Foi lançada recentemente a edição em português do livro O fim da internet, do professor da Universidade de Amsterdam de Ciências Aplicadas, Geert Lovink (link). Há também um vídeo curto do autor sobre a obra (link). O livro inaugura a coleção Âncora do Futuro na temática de estudos críticos da internet da editora Funilaria em parceira com a equipe do @baixacultura. No livro, Lovink apresenta reflexões e diversas imagens sobre os problemas das plataformas (ou Big Techs) na atualidade e possíveis caminhos, em reflexão bastante inicial e por vezes pouco coesa, sobre as saídas para os problemas geradas aos usuários por essas empresas. 

O autor introduz questões importantes para reflexão, tais como: 

  • O que pode ocupar o vazio em nossos cérebros desfragmentados depois que a internet desocupar a cena? 
  • Em que pode consistir a vida depois que nossas mentes frágeis não forem mais atacadas pelos efeitos entorpecentes e deprimentes de descer a barra de rolagem do apocalipse (doomscrolling)?
  • Como viver uma vida fora da plataforma e ainda aproveitar os benefícios das redes sociais?

Lovink destaca também a urgente e ampla necessidade de regulação das plataformas para evitar tantos danos aos usuários, em particular as crianças e jovens. Destaque também para elementos de caráter menos tecnológico e mais político e econômico, como a importante discussão sobre decrescimento econômico e economia contributiva, solastalgia, dentre outros.

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Estudo detalha o avanço da plataformização na educação superior da América Latina e da África

Relatório recente publicado pela equipe do projeto Observatório Educação Vigiada (link) apresenta indicadores que comprovam as crescentes ações das empresas Alphabet (Google) e Microsoft relacionadas às universidades públicas nos continentes da América Latina e da África. No que se refere ao nosso continente, a síntese dos resultados foi:

  • Foram pesquisadas 666 domínios de e-mail em 20 países;
  • Foram encontrados 646 domínios válidos de e-mail institucional;
  • 76% dos domínios válidos das Instituições Públicas de Ensino Superior da América Latina direcionam suas mensagens para servidores da Google e da Microsoft;
  • 58% dos domínios válidos estão armazenados na Google e 18% na Microsoft
  • Somente 24% dos domínios válidos estão armazenados em outros tipos de solução, majoritariamente servidores próprios e gerenciados pelas instituições.
  • Cuba é o único país da região com 100% dos servidores próprios, seguido por Uruguai, com 85%.

Os autores concluíram que: [...existe uma] " repetição das empresas que dominam a oferta de serviços: Microsoft e Google. Os dados brutos apontam para cenário díspar em diferentes países: com maior e menor domínio das Big Tech ou ainda a presença mais marcante de uma única empresa. Nesse sentido, e seguindo as experiências do mapeamento Sul-americano, os dados são uma fonte significativa de informações nos níveis nacional e institucional, abrindo espaços para investigações acerca dessas disparidades, considerando vetores e contextos políticos e econômicos locais". 

segunda-feira, 30 de maio de 2022

O modelo e o avanço global das plataformas educacionais

Em recente editorial do periódico britânico Learning, Media and Technology, o pesquisador Ben Williamson destaca o caso da plataforma educacional indiana BYJU'S, focada no ensino de programação para crianças, que será uma das co-patrocinadoras da próxima Copa do Mundo de Futebol ao lado de Adidas, Visa e outros (link). 

Williamson apresenta e analisa o modelo de negócios da empresa (avaliada em cerca de 22 bilhões de dólares e com 115 milhões de alunos registrados) e seu modo operacional com base em parte no que chama de "data rent" (aluguel de dados). Segundo o autor, "a extração de big data está no centro do modelo de negócios da Big Tech, possibilitada por arranjos legais que tratam os dados como propriedade intelectual que as empresas possuem, controlam e podem reutilizar indefinidamente". Williamson afirma que a empresa "está investindo em big data e IA como caminho para a criação de valor; está se posicionando como uma empresa de tecnologia experimental e inovadora com um 'laboratório' como aqueles onde as grandes empresas de tecnologia incubam produtos inovadores; e está claramente no negócio de extrair aluguel de dados de seus milhões crescentes de usuários como base para a criação desses serviços e produtos que agregam valor".



terça-feira, 10 de setembro de 2019

Novas plataformas e sistemáticas para divulgação do conhecimento científico


Artigo da revista Nature relata novos procedimentos utilizados por plataformas digitais focadas na divulgação do conhecimento científico na área da Física e que utilizam processos mais transparentes de revisão-cega pelos pares, elimina a categoria de artigos rejeitados integralmente e permite comentários dos internautas, dentre outras inovações. Neste aspecto, destacam-se as plataformas quantum (https://quantum-journal.org/), researchers.one (https://www.researchers.one/) e SciPost (https://scipost.org/ 


O artigo afirma que "muitos acham que os periódicos são uma relíquia do passado, executando um sistema irresponsável de revisão por pares que exerce uma influência enorme nas carreiras dos pesquisadores". E concluiu:"Em última análise, a questão com a qual estamos lidando é: qual é o propósito de uma revista hoje? É fácil encontrar uma resposta rápida. Reconhecer que os periódicos estão mudando para plataformas de informação que fornecem uma gama de serviços a diferentes grupos constituintes provavelmente fornecerá insights melhores sobre sua evolução futura".