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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

A vertiginosa ascensão e queda da plataforma indiana BYJU's

Artigo recente relata parte da história e sérios percalços recentes enfrentados pela plataforma educacional BYJU's (link para acessar o texto). A empresa, fundada em 2011 por, um casal de educadores indianos, apresentou crescimento espantoso mirando primeiramente o enorme mercado interno da India para treinamento em concursos de admissão semelhantes aos ENEM brasileiro. Posteriormente, ampliou conteúdos e cursos para todos os níveis escolares e ensino superior e para telefones celulares. 


A partir dai passou a construir uma atuação global que incluiu práticas predatórias em uma série milionária de aquisições de outras 17 edtechs na casa dos 300 e 400 milhões de dólares cada, totalizando investimentos de cerca de 5 bilhões de dólares. O agressivo crescimento incluía até a contratação do jogador Lionel Messi para garoto propagada. Planos muito ambiciosos que começaram a naufragar recentemente, quando a agressividade comercial da empresa começou a gerar desconfiança generalizada, o que incluiu a retirada de alguns investidores do Conselho Diretor da empresa e até a invasão da sede da empresa pelo Ministério de Assuntos Corporativos da Índia.  A empresa pode ter sua falência decretada nos EUA e enfrenta investigação criminal na Índia. Um enredo de filme que, de fato, já tem até proposta de nova minissérie para a plataforma Netflix...

Os autores do artigo concluem: "O BYJU's é um lembrete doloroso de que atalhos e farras de gastos não constroem negócios duradouros. A educação é um mercado enorme, mas a integridade ética e o foco no sucesso dos alunos devem continuar a ser princípios orientadores. Esperançosamente, as cinzas da BYJU serão usadas para instruir e fertilizar a próxima geração de líderes de edtech focados na criação de valor real, não apenas no hype".

segunda-feira, 30 de maio de 2022

O modelo e o avanço global das plataformas educacionais

Em recente editorial do periódico britânico Learning, Media and Technology, o pesquisador Ben Williamson destaca o caso da plataforma educacional indiana BYJU'S, focada no ensino de programação para crianças, que será uma das co-patrocinadoras da próxima Copa do Mundo de Futebol ao lado de Adidas, Visa e outros (link). 

Williamson apresenta e analisa o modelo de negócios da empresa (avaliada em cerca de 22 bilhões de dólares e com 115 milhões de alunos registrados) e seu modo operacional com base em parte no que chama de "data rent" (aluguel de dados). Segundo o autor, "a extração de big data está no centro do modelo de negócios da Big Tech, possibilitada por arranjos legais que tratam os dados como propriedade intelectual que as empresas possuem, controlam e podem reutilizar indefinidamente". Williamson afirma que a empresa "está investindo em big data e IA como caminho para a criação de valor; está se posicionando como uma empresa de tecnologia experimental e inovadora com um 'laboratório' como aqueles onde as grandes empresas de tecnologia incubam produtos inovadores; e está claramente no negócio de extrair aluguel de dados de seus milhões crescentes de usuários como base para a criação desses serviços e produtos que agregam valor".