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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Número temático sobre colonialismo digital

Acaba de ser publicada edição temática sobre colonialismo digital da revista Convergência Crítica (link).  Há diversos artigos de interesse na temática abrangendo questões relacionadas à inteligência artificial, dataficação, racismo algorítmico e outros. 

Segundo os coordenadores, "são tempos de ataques sistemáticos à soberania  digital  brasileira,  onde  o  capital  de  empresas  do  Vale  do  Silício,  se  alinham abertamente com o campo político da extrema direita. Foi-se a ilusão, muito presente no campo democrático,  de  que  estas  corporações  e  suas  plataformas  poderiam  ser  benevolentes.  Seus interesses  são  o  lucro  über  alles:  neste  sentido  vale  tudo,  principalmente  impulsionar  a desinformação [...] Os  estudos  sobre  colonialismo  digital,  tornam-se  uma  necessidade  para  a  compreensão  e transformação da sociedade atual. A digitalização da vida, comandada pelas big techs, impõe o ritmo alucinante das máquinas, aprofundando a subsunção real dos trabalhadores, através da fragmentação e precarização da força de trabalho e a crescente fetichização da tecnologia, sob a  forma  da  mercadoria". 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Artigo sobre Multiletramentos, IA e vídeos remix em nova edição temática

Acaba de ser publicado artigo de pesquisadores do grupo LER-CNPq intitulado Multiletramentos E Inteligência Artificial Nas Práticas Artísticas Juvenis: Uma Análise Sobre A Produção De Vídeos Remix (link) em número temático A Inteligência Artificial e Educação: debates críticos e boas práticas na escola básica e na educação superior, da revista Artes e Educar da UERJ, com edição de Juan Guilhermo Díaz Bernal e Edméa Santos. 

O trabalho de Magnaldo Araújo e Eduardo S. Junqueira "é um recorte de pesquisa de doutorado em andamento que busca compreender o processo de articulação e integração das práticas de multiletramentos na aprendizagem artístico-musical de jovens. Neste artigo temos como objetivo analisar o uso da inteligência artificial (IA) nas práticas artísticas juvenis de multiletramentos no processo de produção de vídeos remix, considerando os aspectos socioculturais, pedagógicos e tecnológicos [...] Como principais resultados, destacamos as mudanças de ethos no processo de criação de vídeos remix e nas práticas de multiletramentos auxiliadas por IA. Entre as principais mudanças, destacam-se a automatização de processos técnicos relacionados à edição de vídeo e a democratização do acesso a ferramentas profissionais de edição, todas proporcionadas pela IA. No que se refere à renovação do ethos, consideram-se a emulação da criatividade humana e os limites borrados da propriedade intelectual como principais pontos de mutação".

Sobre a edição temática (link), com diversos artigos de grande interesse, os editores discutem "como essa tecnologia, capaz de criar textos, imagens e outros conteúdos a partir de dados fornecidos por humanos, vem transformando a educação, exigindo reflexões sobre a reconfiguração do ensino e do papel dos professores. São abordadas questões filosóficas e epistemológicas, como a influência dos vieses algorítmicos na produção do conhecimento, além das implicações para a sociedade contemporânea, marcada por redes digitais e pela modernidade líquida. Outro ponto central da discussão é a necessidade de adaptação dos processos de ensino e avaliação, uma vez que o uso da IA por estudantes pode impactar a integridade acadêmica. O papel do professor se amplia, tornando-se não apenas um mediador do conhecimento, mas um orientador no uso ético dessas ferramentas. Além disso, enfatiza-se a importância do desenvolvimento de habilidades metacognitivas para que os alunos possam utilizar a tecnologia de forma crítica e consciente, sem comprometer a autonomia do aprendizado".

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Open AI, do ChatGPT, disponibiliza novo curso e recursos para a educação

A empresa Open AI, criadora do ChatGPT, acaba de disponibilizar um curso online, em inglês, para professores da educação básica. A iniciativa foi desenvolvida em parceira com professores da área de IA da Universidade da Pensilvânia, nos EUA. O curso possui quatro módulos e é gratuito, Há cobrança de uma taxa apenas para aqueles que desejarem obter um certificado de conclusão da atividade (acessar o link). 

Segundo a empresa, "o curso permitirá aos participantes explorar os principais conceitos em IA generativa, criar prompts de IA eficazes e descobrir estratégias para integrar a IA nas tarefas, mantendo a integridade acadêmica". Cada módulo possui vídeo, leituras, uma tarefa e um "prompt para discussão".  Foi disponibilizado também um vídeo de divulgação do curso, com os professores responsáveis, neste link.

Recentemente a empresa também lançou uma nova versão do produto, chamada ChatGPT Edu, focada em universidades, com base em uma espécie de uso piloto desenvolvido na Arizona State University, nos EUA. A página traz alguns poucos detalhes sobre o produto neste link.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Novas publicações sobre inteligência artificial e educação

Acabam de ser publicados materiais importantes na área de inteligência artificial e educação. O livro intitulado Inteligência artificial e educação: refletindo sobre os desafios contemporâneos, organizado pela pesquisadora Lynn Alves, está disponível para acesso gratuito no site da EDUFBA (link). Segundo a editora, "a coletânea não tem intenção de apontar verdades absolutas, mas de provocar em especial educadores a interagir com os aparatos tecnológicos, em especial as IAs destacadas, construindo olhares críticos que vão além de perspectivas tecnofóbicas. Na primeira parte são apresentadas linhas cronológicas para entender o avanço da IA e o marco diferencial com a emergência da Inteligência Artificial Generativa (como ChatGPT 3.5, ChatGPT 4.0, Dall-E e Midjourney), além de serem apontados os riscos e as possibilidades ao interagir com tais aparatos tecnológicos, especialmente no cenário educacional. Já a segunda parte da obra, “Mediação da Inteligência Artificial nas práticas pedagógicas e investigativas”, traz reflexões e práticas de professores e pesquisadores brasileiros e portugueses com a interação dessa tecnologia nos espaços de aprendizagem".

O periódico Computers & Education acaba de publicar artigo intitulado Impact of AI assistance on student agency (link para acesso aberto) em que os autores investigaram o tema e constataram uma perigosa tendência de os alunos se tornarem dependentes da ajuda da IA, ao invés de utilizá-la como processo de aprendizagem. O texto traz uma discussão sobre benefícios, desafios e implicações mais amplos de contar com a assistência da IA ​​em relação à agência dos estudantes.

O resumo do artigo (em tradução automatizada via Google): "As tecnologias de aprendizagem baseadas em IA estão sendo cada vez mais usadas para automatizar e estruturar atividades de aprendizagem (por exemplo, lembretes personalizados para concluir tarefas, feedback automatizado em tempo real para melhorar a redação ou recomendações sobre quando e o que estudar). Embora a visão predominante seja de que estas tecnologias têm geralmente um efeito positivo na aprendizagem dos alunos, o seu impacto na agência dos alunos e na capacidade de auto-regular a sua aprendizagem é pouco explorado. Os alunos aprendem com o feedback regular, detalhado e personalizado fornecido pelos sistemas de IA e continuarão a apresentar um comportamento semelhante na ausência de assistência? Ou, em vez disso, continuam a contar com a assistência da IA ​​sem aprender com ela? Para contribuir para preencher esta lacuna de investigação, conduzimos uma experiência controlada aleatória que explorou o impacto da assistência da IA ​​na agência estudantil no contexto do feedback dos pares. Com 1.625 alunos em 10 cursos, um experimento foi conduzido usando revisão por pares. Durante o período inicial de quatro semanas, os alunos foram guiados por recursos de IA que utilizavam técnicas como detecção de sugestões baseadas em regras, similaridade semântica e comparação com comentários anteriores feitos pelo revisor para aprimorar seus envios caso o feedback fornecido fosse considerado insuficientemente detalhado ou natureza geral. Nas quatro semanas seguintes, os alunos foram divididos em quatro grupos diferentes: o controle (AI) recebeu instruções, (NR) não recebeu instruções, (SR) recebeu listas de verificação de automonitoramento no lugar das instruções da IA ​​e (SAI) teve acesso a ambos. Solicitações de IA e listas de verificação de automonitoramento. Os resultados da experiência sugerem que os alunos tenderam a confiar, em vez de aprender, com a assistência da IA. Se a assistência da IA ​​fosse eliminada, as estratégias auto-reguladas poderiam ajudar a preencher a lacuna, mas não eram tão eficazes como a assistência da IA. Os resultados também mostraram que as abordagens híbridas humano-IA que complementam a assistência da IA ​​com estratégias autorreguladas (SAI) não foram mais eficazes do que a assistência da IA ​​por si só. Concluímos discutindo os benefícios, desafios e implicações mais amplos de contar com a assistência da IA ​​em relação à agência estudantil num mundo onde aprendemos, vivemos e trabalhamos com IA".

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Revisão de artigos sobre IA (ChatGPT) e Educação

Acaba de ser publicado artigo resultado de uma revisão de literatura, ainda incipiente com 50 artigos, sobre impactos da IA (ChatGPT) na educação. O artigo traz conclusões gerais e já debatidas entre educadores de modo geral, mas é válido pelo mapeamento realizado e pelas fontes  apresentadas. Intitulado What Is the Impact of ChatGPT on Education? A Rapid Review of the Literature (link) é de autoria do Chanf Kwan Lo, pesquisador de Hong Kong. O artigo integra edição temática do periódico intitulada Teaching and Learning in the Era of AI Conversation Chatbots: Opportunities and Challenges.

Para fins de aprendizagem, os artigos indicaram usos para responder perguntas, resumir conteúdos e facilitar a colaboração entre alunos. Para fins de avaliação da aprendizagem, artigos analisados citaram aspectos de verificação de conceitos e preparação pra exames e para gerar feedback. Segundo o autor, "o ChatGPT tem o potencial de melhorar o ensino e a aprendizagem. No entanto, seu conhecimento e desempenho não foram totalmente satisfatórios em todos os domínios de assunto. O uso do ChatGPT também apresenta vários problemas potenciais, como geração de informações incorretas ou falsas e plágio de alunos, podendo não ser detectados por sistemas de verificação".

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Novas teorias para espaços digitais de aprendizagem

O pesquisador canadense Stephen Downes acaba de publicar artigo intitulado Newer Theories for Digital Learning Spaces (link).  Na primeira parte do trabalho o autor apresenta uma ótima revisão das teorias clássicas e contemporâneas da aprendizagem, apontando algumas lacunas e refletindo sobre limites dessas proposições e sua ênfase em processos cognitivos e a centralidade no conhecimento. Na segunda parte do trabalho, identifica algumas teorias emergentes, incluindo pedagogia conectivista (desenvolvida por Downes e outros pesquisadores), ambientes de aprendizagem pessoal e práticas educacionais abertas, caracterizando-as e buscando relacioná-las com as lacunas e reflexões sobre as teorias apresentadas na primeira parte do trabalho. Por fim, o autor discute a própria natureza de uma teoria situada no campo da aprendizagem em torno do que argumenta serem os dois novos elementos da "geração (ou criação de conteúdo) e deontologia (identificação de qual pode ser a melhor, ou desejada, opção [ao se aprender algo])".